Parlamentares travaram embate por causa de comentário em rede social no final do ano passado

Conselho arquiva representação de Almir contra Arlindo

Vereador tucano poderá recorrer ao plenário

O Conselho de Ética da Câmara de Araçatuba arquivou representação do vereador Almir Fernandes Lima (PSDB) contra o parlamentar Arlindo Araújo (PPS) por causa de declarações do pepessista durante sessão. Após ser criticado nas redes sociais pelo tucano, Arlindo disse, na tribuna do Legislativo, que imprimiria o próximo comentário que Almir escrevesse sobre ele e faria com que o vereador o comesse no plenário. 

Votaram pelo arquivamento os parlamentares Cido Saraiva (PMDB) e Carlinhos Santana (SD). Já os que deliberaram pelo prosseguimento da apuração foram os vereadores Alceu Batista (PV), que é o corregedor do conselho, e Beatriz Nogueira (Rede). Como era necessário que a maioria dos membros fosse favorável à continuidade da investigação da denúncia, com o empate, o procedimento foi arquivado. 

Almir ainda poderá recorrer ao plenário da Casa, se quiser levar o caso adiante. De acordo com o Regimento Interno, ele terá 15 dias para isso. Para que a representação tenha prosseguimento, será necessária a maioria absoluta dos vereadores, ou seja, oito votos a favor do recurso. 

Carlinhos disse que optou pelo arquivamento, pois entende que a questão pode ser resolvida com diálogo. “Dá para resolver conversando. Não podemos procurar trazer mais ‘calor’ para a situação. O melhor caminho é harmonizar. A partir do momento em que (a Câmara) racha, quem perde é a população”, afirmou o vereador do Solidariedade. 

Alceu explicou que seu posicionamento e da vereadora Beatriz no conselho não teve relação com juízo de valor em relação a Arlindo. O representante do PV disse que queria, junto com Beatriz, o prosseguimento da representação para obter mais elementos para elucidar melhor os fatos.

POSTAGEM
Em 23 de novembro do ano passado, Almir escreveu, em seu perfil no Facebook, que travou um embate nos jornais com o “vereador veterinário”, entre 2001 e 2002, a respeito do tratamento da leishmaniose canina. Autor de projeto que permite o tratamento da doença no município, o tucano postou na sua rede social que defendeu os animais, enquanto o “vereador veterinário” foi a favor da eutanásia. Almir disse que havia realizado seu sonho e o dos amigos dos animais ao aprovar essa propositura.

Arlindo, que é veterinário, entendeu que Almir estava querendo jogá-lo contra a população, distorcendo informações de saúde pública. Além disso, o pepessista estava irritado com o comportamento do tucano, o qual considera antiético. Aparentemente nervoso, durante pronunciamento na Câmara, e esmurrando a tribuna, ele prometeu que, se isso acontecesse outra vez, iria imprimir o texto e fazer Almir engolir o papel em plena Câmara, na frente dos colegas e passaria a chamá-lo de “vereador vassalo”. 

SEM CONTATO
A reportagem não conseguiu contato com Arlindo para comentar o assunto. Os contatos da reportagem também foram deixados em sua clínica, mas não houve retorno. 

Almir disse que ainda não teve contato com os pareceres, pois está de férias, mas afirmou que já esperava o resultado. “Diante dos fatos ocorridos naquele fatídico dia, em que o descontrole emocional do representado deixou esvair a razão, percebi que era caso que requeria cuidados médicos, mas, na qualidade de profissional do Judiciário fiz o que a lei determina”, disse. 

Para ele, o resultado foi estritamente político, mas bem recebido, pois em empate não há vencedor. Porém, ele acredita que o arquivamento abre um grande leque para manifestações bem acaloradas nas próximas sessões. “Em relação à minha pessoa, garanto que o que senti naquele dia, foi pena, pois todos os limites da tolerância e do bom senso foram ultrapassados”, afirmou Almir.

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