Conflito que não deveria existir

Todo embate político é necessário. Isso, quando se pauta na discussão de uma sociedade melhor

Certamente, o “Ibope” da sessão da Câmara de Araçatuba deve ter ido às alturas, na última segunda-feira (27), com o embate entre os vereadores Almir Fernandes Lima (PSDB) e Arlindo Araújo (PPS). Não, eles não estavam discutindo de forma acalorada temas que, ultimamente, têm preocupado os araçatubenses, como o aumento do IPTU a partir do próximo ano.

O “pega”, na verdade, começou pelo fato de Arlindo ter se sentido ofendido com a referência de “vereador veterinário” feita a ele pelo tucano em postagem no Facebook. Fazendo uso de discurso na tribuna da Casa, Arlindo o proibiu de citar seu nome na rede social e adiantou que, se o pedido fosse desrespeitado, passaria a chamar o parlamentar do partido do prefeito Dilador Borges (PSDB) de “vereador vassalo”. E que ainda o faria imprimir o próximo comentário, comendo-o na frente de todos na Câmara.

Para um defensor da coerência política, a briga pode soar estranha. Não pela conduta ou linha de trabalho dos dois edis. Ocorre que ambos foram eleitos na mesma coligação na eleição municipal do ano passado. Há, no entanto, uma diferença. Almir está em sua primeira legislatura. Arlindo começou, neste ano, o sétimo mandato.

Até o ano passado, Arlindo, opositor histórico a todos os governos municipais, fazia parte da “cambada”, termo com o qual Almir se referia aos vereadores de períodos anteriores ao seu, demonstrando postura crítica e defesa incisiva da moralidade política. Atacar colegas de parlamento, por meio de indiretas na internet, portanto, parece não caminhar na linha por ele defendida até então.

Como veterano na Casa, Arlindo sabe muito bem que certas manifestações podem abrir precedentes para questionamentos quanto a possíveis quebras de decoro ou soarem ameaçadoras, algo que, muitas vezes, não é bem-visto pela população. O próprio decano do legislativo araçatubense tem, em seu histórico na Casa, participação em grandes embates ocorridos em plenário.

Não é novidade para ninguém o quanto, hoje, o ser político é, ao mesmo tempo, um ser vaidoso. Gosta de ser bem falado, reconhecido e pouco criticado, por mais que, acima de tudo, seja uma figura pública. Situações como a protagonizada no começo da semana na Câmara, no entanto, decorrem da falta de respeito predominante entre os políticos. Para ser bem avaliado pelo povo, apela-se para minar o trabalho do outro.

Todo embate político é necessário. Isso, quando se pauta na discussão de uma sociedade melhor, respeitando-se as diferenças. Quando assim não funciona, testemunha-se um conflito que nada tem de construtivo.

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