Como reorganizar a educação sem traumas?

Temor de pais com fechamento de creche é legítimo

"Prefeitura fecha creche do Nossa Senhora Aparecida". A notícia, divulgada pela Folha da Região na última quarta-feira (12), revelava, ao mesmo tempo, a preocupação dos pais de 53 crianças atendidas na Emeb (Escola Municipal de Educação Básica) Ermelinda Geralda da Silva Soga, em Araçatuba. 

A Secretaria de Educação explica que a medida faz parte de um plano de reestruturação. Os alunos da unidade que teve suas atividades encerradas devem ser transferidos para outras escolas. A “Ermelinda”, por sua vez, vai passar a funcionar em um imóvel recém-retomado pelo município onde até então funcionava uma unidade do Sesi (Serviço Social da Indústria). De acordo com a gestão de Dilador Borges (PSDB), lá, cerca de 300 crianças terão aulas, especialmente do Porto Real 2, conjunto habitacional entregue há pouco mais de uma semana. 

O temor dos pais é legítimo. A grande expectativa deles é de que a transferência de seus filhos ocorra, no mínimo, para estabelecimentos próximos de suas residências. Isso porque, independentemente da distância, os alunos já terão o desafio de buscar a adaptação à nova escola onde estudarão.

Cabe, assim, ao poder público local realizar a necessária reestruturação de forma menos traumática. Percebe-se que um grande gargalo da rede municipal de educação ainda é acabar com o déficit de vagas nas creches. Conforme lista divulgada no site da Prefeitura, atualizada na segunda-feira passada, hoje, há 945 crianças aguardando vagas em creches da cidade. 

É importante lembrar que, há quatro anos, quando o problema foi assunto de intensos debates na Câmara, onde uma comissão se formou para buscar soluções para a questão, esse número estava em 700. Ainda que de forma morosa, a gestão passada, de Cido Sério (PT), chegou a entregar novas escolas com o intuito de acabar com essa demanda. Não conseguiu. E o pior, como se percebe, é constatar o aumento na demanda, o que se deve a vários fatores, alguns que até fogem do alcance do governo, como o crescimento populacional. 

Espera-se, assim, que a atual gestão, ao reorganizar o atendimento, não prejudique uma parte para garantir qualidade a outra parte do amplo universo estudantil. Este é o desafio desta administração diante da tarefa de evitar que crianças estudem em instalações precárias, como vinha ocorrendo no Nossa Senhora Aparecida, e que outros alunos fiquem sem escola, preocupação existente entre moradores do Porto Real 2.

Essa situação, recorrente em boa parte do País, mostra o quanto ainda é desafiador para o poder público cumprir o papel elementar de garantir a educação para todos. Isso, mesmo sendo a educação o setor que responde por 25% do orçamento municipal.

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