Cibele Cristina Castilho tem residência médica em pediatria e cancerologia pediátrica pela USP

Como lidar com o câncer infantojuvenil?

Doença é a principal causa de mortes de crianças e adolescentes

Existem diferentes sinais pelos quais podemos supor que uma criança sofra de câncer. Esta, por sua vez, é a principal causa de morte por doença em crianças e adolescentes. O diagnóstico precoce pode mudar essa realidade. Quem descobre a doença no início aumenta as chances de cura. Por isso, é importante que os pais levem regularmente os filhos às consultas médicas. 
 
Em entrevista à Folha da Região, Cibele Cristina Castilho, graduada pela Faculdade de Medicina de Catanduva, com residência médica em Pediatria e cancerologia pediátrica pela USP (Universidade de São Paulo), explica quais os principais sintomas da doença.
 
O que caracteriza o câncer infantojuvenil?
O câncer é uma proliferação desordenada de células de um órgão específico que sofreram várias mutações e perderam sua função. Além disso, adquirem a capacidade de se disseminar para outros órgãos através da corrente sanguínea ou linfática. Quando acomete crianças ou adolescentes, estamos diante do câncer infanto-juvenil.
 
Quais os sintomas da doença?
Os sinais do câncer infantojuvenil são vários, dentre eles: palidez e manchas roxas pelo corpo de aparecimento espontâneo, dores de cabeça que despertam a criança durante a noite associadas com vômitos ou desequilíbrio, caroços no corpo que estejam crescendo, principalmente no abdome, febre prolongada sem uma causa aparente, manchas brancas nos olhos, dores nos ossos que atrapalham ou impedem a criança de brincar, dentre muitos outros.
 
Há uma forma de prevenção dessa doença?
A prevenção do câncer infantil deve ser feita através do diagnóstico precoce. Para tal, os pais devem sempre estarem atentos aos sinais de alerta e levarem seus filhos às consultas de rotina com o seu pediatra.
 
Quais os cuidados que os pais devem ter quanto a essa doença?
Os pais devem sempre prestar atenção aos sinais de alerta e, se os reconhecerem, procurar seu pediatra ou um oncopediatra que fará uma avaliação necessária para descartar ou confirmar a doença precocemente.
 
Qual a importância do diagnóstico precoce?
O diagnóstico precoce é de suma importância para o melhor prognóstico do paciente. Alguns cânceres na infância chegam a 90% de chance de cura se diagnosticados precocemente. Já no diagnóstico tardio, um mesmo tipo de câncer pode piorar esse índice para apenas 20%.
 
Como é o tratamento? É igual ao dos adultos?
O tratamento também é realizado com quimioterapia, radioterapia, cirurgia, imunoterapia, transplante, a depender do tipo de câncer que a criança tiver. A diferença está na melhor tolerância da criança ao tratamento. Nessa faixa etária, o paciente suporta doses de quimioterapia proporcionalmente bem maiores que as dos adultos.
 
E quanto aos resultados, crianças e adolescentes têm alguma vantagem?
Os resultados são bem melhores nas crianças e nos adolescentes comparados aos adultos. As taxas de cura chegam a mais de 90% em alguns casos. Os cânceres pediátricos crescem com rapidez. Porém, até por conta disso, os tumores respondem muito bem à quimioterapia de modo geral. Isso resulta numa melhor chance de cura se comparado aos cânceres nos adultos. As crianças também suportam doses de quimioterapia muito maiores
 
Qual a importância da atuação dos pais durante o processo de tratamento?
Os pais são os cuidadores em tempo integral dessas crianças. São responsáveis pelo acompanhamento adequado, Administração de muitos medicamentos, assegurar a proteção adequada a essas crianças para evitar infecções e essenciais no estímulo dos pacientes a terem esperança e força para enfrentarem essa grande batalha. É fundamental os pais observarem o filho, pois eles conhecem-no. E devem também levá-lo ao pediatra geral para uma avaliação técnica. Nesse momento, recomendo procurar um profissional que já acompanha a criança. Existem artigos que comprovam a importância da atuação da família nesse processo. Se a família for proativa e busca estimular a criança a ter motivação para passar pelo tratamento — que é difícil sim —, mas que tem um propósito maior: a cura, influenciará no quadro do paciente de modo positivo. A criança tem um olhar muito sensível à postura daqueles que estão ao seu redor. Percebe quando esses familiares acreditam na sua melhora e, por isso, têm força para se empenhar mais no tratamento
 
A alimentação contribui nesse processo de evolução do tratamento?
Não há nada cientificamente comprovado sobre a questão da alimentação interferindo na evolução da doença já instalada, apesar de muitas especulações. Existem vários estudos em andamento tentando relacionar a presença de corantes e conservantes nos alimentos serem cancerígenos a longo prazo de exposição, mas também ainda nada comprovado. E, durante o tratamento, os pacientes são privados de comerem alimentos crus ou mal passados para evitar adquirirem infecções através da ingestão desses.
LINK CURTO: http://folha.fr/1.368114