Juarez Paes é chefe de cozinha em Araçatuba

Coluna Gastronomia: Alimento material e alimento espiritual

Chef Juarez Paes ensina a fazer picanha ao molho de shitake

Eis aí duas graças que nunca me faltaram, no caso da material a ocorrência flutuou durante a vida entre momentos de maior abundância e outros em que foi suficiente para atender as necessidades com precisão, em resumo, Deus sempre proveu!
 
Já o Espiritual sempre foi e é despejado sobre todos nós com muita abundância, a diferença para o material é que no caso deste podemos tocar ou ver e no outro é que até podemos visualizar algumas de suas consequências, mas, que basicamente, é preciso sentir e perceber sua presença e suas sutilezas, as quais, podem muitas vezes não atenderem aos nossos anseios e soarem com injustiça ou abandono de acordo com o crescimento e desenvolvimento espiritual de cada um, mas, sobretudo, pela fé individual.
 
Resumindo o que é "Alimento Material" o ponto de partida é o básico tátil como comida, teto, vestuário, transporte, trabalho e os insumos necessários para que possamos usufruí-los e gozarmos do conforto por eles proporcionados, cabendo a cada um identificar o limite entre o justo conforto e o supérfluo.
 
A condição humana demanda um enorme esforço e perseverança para não ultrapassar este limite, porém, na maioria dos casos a regra do "quanto mais se tem, mais se quer", costuma prevalecer e o consumismo sobrepõe à vontade, o bom senso, se torna um vício que pode atingir níveis incontroláveis, resultando em acumulo de bens e coisas que não chegam sequer a serem utilizadas e até mesmo ao extremo de contrair dívidas impagáveis.
 
A comida e os alimentos de maneira geral não fogem a regra acima, pois, sabemos que o exagero neste quesito é muito comum, vivemos expostos a tantas tentações que às vezes torna-se impossível não passar um pouco ou muito do limite e arcar com suas consequências desagradáveis.
 
A falta de controle também segue a mesma tônica durante as compras no supermercado, inclusive quando o orçamento está apertado, pois, sempre colocamos no carrinho uma meia-dúzia de itens fora da lista, e que de acordo com as opções oferecidas pelo estabelecimento, aliadas a uma folga maior no valor disponibilizado para gastar naquele mês, pode chegar a ocupar mais da metade do espaço destinado ao que estava previsto no rol de insumos criteriosamente listados em casa, sob a promessa de que em hipótese alguma seria alterada ou acrescida.
 
Nem é preciso que sejam necessariamente as compras do mês: quem já não entrou no supermercado, padaria ou mercadinho de bairro (ocorre quase sempre) para comprar apenas pão, leite e manteiga ou somente uma unidade de detergente, por exemplo, e chegou ao caixa com a cestinha abarrotada de itens? 
 
E no restaurante ou lanchonete onde costumamos chegar com o objetivo de comer aquele determinado item do cardápio, quase que como um desejo de gestante e nos perdemos tentados pelos aromas e pelo visual do prato servido ao "vizinho"? Lá se vai nosso foco, dinheiro, dieta e tudo o mais que havíamos firmado como propósito antes de ingressar naquele estabelecimento.
 
E em casa já munidos de todos os insumos adquiridos durante as compras daquele mês, prontos para executar uma receita que criamos ou vislumbramos enquanto enchíamos o carrinho de supérfluos, recebe a companhia de outros acompanhamentos não contidos no cardápio inicial e nos leva de volta ao supermercado ou mercadinho? 
 
Lá vamos nós outra vez: batata, creme de leite, champignons, azeitonas, alcaparras, chantilly, morangos, entre outros e aquele vinho para harmonizar com o prato principal, outro para entrada e mais um para a sobremesa e por aí vai.
 
É galera, o Alimento (comida) Material é uma perdição, um pecado previsto nas sagradas escrituras, que demanda um esforço hercúleo para não nos deixar levar ao exagero e desperdício, mas, que talvez seja, ao mesmo tempo, o mais difícil de controlar e um dos mais prazerosos de se cometer.
 
Somente quando absorvermos na mesma proporção o Alimento Espiritual, poderemos exercer o controle total sobre o Material, enquanto isso, devemos, pelo menos, evitar o desperdício. Afinal, é aí que reside o maior dos pecados, já que tantos não têm o que comer todos os dias e muitas vezes só lhes resta se alimentar das sobras de quem exagera e desperdiça.
 

Picanha ao molho de shitake

Você vai precisar de: 4 bifes (3 cm) de picanha; -1 xícara de shitake picadinho; -1 cebola roxa pequena picadinha; -2 colheres de sopa de manteiga (não serve margarina); -1 dente de alho amassado; -1/2 caixinha de creme de leite; -sal qb.
 
Preparo: Em uma frigideira antiaderente aqueça uma colher de sopa de manteiga e doure os bifes selando bem todos os lados, passe-os para um refratário e em seguida na mesma frigideira sem lavá-la aqueça mais uma colher de sopa de manteiga, doure o alho amassado, mexendo e raspando com uma colher de pau os resíduos do fundo e sem seguida junte o shitake e a cebola, mexendo raspando o fundo, acrescente o creme de leite mantendo o mesmo processo, ajuste o sal e jogue por cima dos bifes, sirva acompanhado de batatas coradas e um tinto Carmenérè chileno.

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'GASTRONOMIA'

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