Jéssica e os pais; ela é a primeira pessoa no Brasil a receber, simultaneamente, três placas de titânio

Cirurgia em Jéssica é considerada um sucesso

A equipe médica responsável pela cirurgia de implantação de próteses de crânio e orbital de titânio na estudante Jéssica Alves Farias Cussioli, de 22 anos, considerou o procedimento realizado há uma semana um sucesso.

Dois dias após a paciente —vítima de acidente contra uma caçamba — deixar a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), os profissionais se pronunciaram ontem pela primeira vez sobre o caso, por meio da assessoria de imprensa da instituição.

Conforme a Folha da Região já havia adiantado, eles confirmaram que Jéssica é a primeira pessoa no Brasil a receber, simultaneamente, três placas de titânio para reconstrução crânio-facial.


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Segundo o hospital, o procedimento foi realizado pelos cirurgiões plásticos Paulo Kharmandayan, Davi Calderoni, Herberti Aguiar e Adriano Mesquita, e pelo neurocirurgião Enrico Ghizoni. Para Kharmandayan, o sucesso da cirurgia se deve a um trabalho multiprofissional que envolveu engenheiros e físicos.

INICIATIVA
Segundo o HC, o primeiro profissional da Unicamp a ter contato com familiares de Jéssica foi o engenheiro mecânico André Jardini, do INCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia) em Biofabricação, em fevereiro deste ano. O conceito de biofabricação consiste em utilizar técnicas de engenharia e biomateriais para construir estruturas tridimensionais, fabricar e confeccionar substitutos biológicos que atuarão no tratamento, restauração e estruturação de órgãos e tecidos humanos.

Após esse contato, ele relatou o caso em um e-mail, anexou links de matérias publicadas em portais de notícia de Araçatuba e solicitou uma tomografia da paciente. “Ao receber o resultado e discutir com o Kharmandayan, apostamos no projeto para a prototipagem crânio-facial em 3D com titânio e aperfeiçoamento das técnicas”, explica.

Segundo Jardini, as próteses de titânio implantadas em Jéssica foram produzidas em um equipamento conhecido como sinterizador direto de metal por laser, importado da Alemanha e avaliado em R$ 3 milhões. Esse é o primeiro equipamento do tipo na América Latina para produzir qualquer tipo de material a partir de pó de titânio. No caso das próteses da estudante araçatubense, a fabricação levou 20 horas.

DESAFIO
Chefe da cirurgia plástica do HC, Kharmandayan afirma que ficou em dúvida quando recebeu um telefonema de Jardini, questionando sobre a possibilidade de realizar o procedimento de reconstrução crânio-facial, até então inédito no País. “A extensão do problema era grande, mas o desafio era maior ainda e aceitamos”, diz.

De acordo com ele, o equipamento para fabricação das próteses não vem com manual de aplicações para estudos e pesquisas, razão pela qual foi preciso desenvolver e aperfeiçoar o projeto. O objetivo do hospital é que as pesquisas se tornem protocolos de medicina a serem adotados no futuro pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Estamos prontos para treinar outros hospitais e centros de pesquisa”, diz.

Jéssica recebeu as próteses em 26 de maio, procedimento que durou cerca de dez horas, mas um dia depois teve de voltar às pressas para a mesa de cirurgia por causa de uma hemorragia intracraniana. No domingo, ela deixou a UTI e se recupera em um dos quartos do hospital.

Segundo Kharmandayan, a paciente permanecerá internada por mais alguns dias e, após receber alta, deve retornar ao hospital em 30 dias para nova avaliação e fará consultas mensais durante 12 meses.