Cidinha Baracat é professora e membro da AAL (Academia Araçatubense de Letras)

Cidinha Baracat: Celebração

Terminava o ano de 1957. No Instituto de Educação “Manoel Bento da Cruz”, à época um templo do saber, onde se promovia a educação do jovem e a propagação dos mais elevados valores morais e humanos, duas novas turmas do então Curso Normal aguardavam ansiosas o dia de sua formatura. 
 
Éramos jovens, alegres, cheios de esperança. E dentro em pouco seríamos professores, título pelo qual ansiávamos com toda a força de nossos corações repletos de confiança em Deus, em nós e no futuro. Cinquenta e um novos mestres, que dariam continuidade à brilhante carreira, à árdua tarefa e à nobre missão daqueles que, com competência, talento e dedicação nos preparavam e nos serviam de modelo. 
 
Seus vultos inesquecíveis desfilam ainda, vestidos de eternidade, em nossas mentes e corações agradecidos: Luiz Ortiz, Arlete Bonvicino, Nídia Carvalho, Ana de Barros, Maestro Raab, Dona Iaiá, Seu Ivo, Adelino Moreira, Eddio Castanheira, Arnot Crespo, Sylvio Venturolli, Edwiges Correia, Daniel, Ruth Cerqueira Leite, Ivete Garcia, Maria do Carmo Brandão e outros. Sob a competente direção de dona Áurea Pires do Rio Penteado e a coordenação amorosa da sempre querida dona Baby, fomos qualificados para o exercício do magistério.
 
Aproxima-se o fim de 2017. Sessenta anos nos separam daqueles dias gloriosos. Já não somos jovens, a vida nos trouxe novas alegrias e alguns dissabores. A esperança não morreu: continuamos acreditando na força da educação como agente transformador. Alguns de nós não seguiram a carreira, outros já a encerraram. Eu ainda permaneço firme, teimosa e amorosamente compartilhando a beleza do que aprendi. Cada um de nós certamente deixou, qualquer que tenha sido o caminho trilhado, as marcas do que recebeu daqueles abnegados e respeitados mestres.
 
Vários atenderam ao chamado do Mestre Maior, e partiram a serviço de novas e sagradas missões. Mas na lista de presença de nossos corações ficarão seus nomes gravados em destaque com as tintas indeléveis do carinho e da saudade: Olga Itinose, Flávio Tavares de Senna, João Gilberto (Jujuba), Josephina Ruiz, Waldemar Zorzetto, Dilma Troncoso Machado Rosa, Marly Monteiro Frasatti, Shizuka Mori Sonoda, Hatsuko Mori, Lúcia Scatena. Se outros mais nos deixaram, não estamos sabendo. Espero que não. 
 
Estaremos reunidos no sábado, dia 9 de dezembro, cantando a alegria da vida e a bênção de termos realizado o sonho feliz da mocidade distante. Nossas rugas, anos e quilos a mais, cabelos brancos e toda a bagagem existencial que acumulamos e distribuímos são dádivas que registram a glória de termos dado a nossas vidas um sentido do qual nos orgulhamos e pelo qual valeu a pena viver. 
 
Além do prêmio maior de nossa bela amizade, que os sessenta anos não conseguiram abalar. Afinal, a vida é curta, mas as belas lemranças que nos proporciona duram uma eternidade. Como disse o grande poeta Dummond: “As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão./ Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.”
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