Cida Xavier é presidente da Associação de Amparo ao Excepcional Ritinha Prates, de Araçatuba

Cida Xavier: Reinvenção contínua

São muitos os malabarismos que as ONGs (organizações não governamentais) precisam realizar para sobreviver. Seja qual for a área de atuação da entidade – educação, saúde, assistência, cultura, recreação, ambientalismo, direitos humanos, promoção do voluntariado, formação para a cidadania etc. –, a captação de recursos sempre foi e continua sendo um grande desafio para o Terceiro Setor.
 
De acordo com uma das empresas de referência especializada em assessoria e desenvolvimento de ONGs, responder a essa e outras situações exige, além de uma boa e transparente contabilidade, uma definição clara de sua missão, o estabelecimento de objetivos e metas, conhecimento e aplicação de ferramentas adequadas de gestão, redução e custos, divulgação planejada junto ao público alvo, animação do espírito voluntário, mensuração e avaliação de desempenho, entre outras exigências.
 
No final das contas, todo planejamento, plano, estratégia, tática e ação tem como finalidade angariar recursos, que vão de mão de obra voluntária, repasse gratuito de materiais e produtos, a arrecadação de dinheiro, para que a associação, instituto, sindicato, possa se manter. No que diz respeito aos recursos financeiros, as formas vão das tradicionais doações pessoais, e em espécie, aos eventos com finalidade beneficente, parcerias com empresas e poder público, ao telemarketing, e ao negócio próprio com lucro revertido à entidade.
 
É preciso ter muita criatividade para inventar novos formatos de captação e uma enorme dose de perseverança para resistir a esse processo ao longo dos anos. Um exemplo é a Associação de Amparo ao Excepcional Ritinha Prates, de Araçatuba, que neste ano comemora quatro décadas de fundação. Imagine-se como foi necessário aos pioneiros e aos dirigentes de ontem e de hoje reinventar-se e persistir durante 40 anos.
 
Levar uma ONG sem esses ingredientes é como dar muro em ponta de faca, é agonizar. De acordo com a Abong (Associação Brasileira de Ongs), existem mais de 400 mil entidades sem fins econômicos no país. Pela minha experiência e conhecimento na área, sei que a maior parte delas sofre para se manter aberta e prestar um bom serviço. Após 25 anos à frente da Ritinha Prates, estou convencida que a razão do resultado positivo reúne tenacidade, capacidade criadora e gestão.
 
O equilíbrio desses ingredientes é fundamental para o bom desempenho da ONG. E, de fato, do ponto de vista gerencial, não há outro caminho aos tomadores de decisão do que promover a aquisição de habilidades e metodologias atualizadas na fronteira do conhecimento, para que a performance superior seja alcançada nas organizações. Só assim para continuar na luta por outros 40 anos ou mais.
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