Chuva e escuridão

Investimentos em fiação subterrânea diminuiriam a questão das quedas constantes de energia

Embora tenhamos uma das contas de energia mais caras do mundo, a sexta, segundo estudos realizados em fevereiro deste ano pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), é fato mais do que comum, ao menos em Araçatuba, a falta de energia ao primeiro sinal de chuva. Qualquer vento que ocorra um pouco mais forte, derruba árvores, que caem sobre os fios ou, simplesmente, causa interrupções na distribuição de energia elétrica.

São vários os prejuízos ao comércio e indústrias, além de imensuráveis incômodos ao cidadão comum. Não há descontos, sem punição por se entender que se tratam de casos de força maior, segundo a lei.

Enquanto os lucros das concessionárias não forem voltados para melhorias na rede de transmissão, essa realidade continuará a ser constante no País. Além da questão estética dos fios aéreos, há o fato de que apresentam riscos à população e representam uma enorme fragilidade ao sistema de transmissão, uma vez que tempestades estão se tornando cada vez mais frequentes.

Claro que os investimentos em fiação subterrânea diminuiriam, e muito, a questão das quedas constantes de energia, garantindo que as cidades não fiquem no escuro ao primeiro sinal de “água” ou, simplesmente, ventos. Essas galerias comportam fios de energia, telefonia, televisão a cabo e internet, por exemplo, que ficam a salvo e escondidos. Um ótimo exemplo é a avenida Paulista, na capital do Estado, que não possui fiação aérea.

É necessário que as companhias de energia invistam em infraestrutura, garantindo, assim, a qualidade do serviço prestado aos consumidores. O governo lucra uma grande fatia da conta de energia por meio de impostos e seria justo que retornassem para o povo em forma de investimentos. Se cada imposto pago fosse voltado para sua área de arrecadação, seria possível reduzir as tarifas em médio prazo, gerando segurança e economia àqueles que, de fato, utilizam determinados serviços.

Uma forma de acelerar esses investimentos seria a criação de uma bandeira diferenciada para cada vez, ou por tempo, em que determinado imóvel ficassem no escuro. Já foram criadas bandeiras para sinalizar o custo da geração da energia consumida e não se vê movimentos pró-consumidor neste sentido. Se os governantes não agirem em prol aos contribuintes, fica cada vez mais difícil manter os níveis de arrecadação. 

É preciso entender, de uma vez por todas, que existem investimentos que devem ser cobrados e realizados, pois representam economia, desenvolvimento e segurança. Setor público não é empresa privada e não tem obrigação de gerar lucros. A obrigação é de fazer a conta “fechar”, garantindo aos usuários e contribuintes melhores condições de vida, em todos os sentidos. Isso inclui pagar menos impostos, tarifas e contribuições, usufruir de melhores condições de tráfego, de água de qualidade, de energia elétrica constante, de educação, de saúde e de produtos mais acessíveis.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.381473