Richard Cardoso diz que bactérias, vírus e fungos podem ser transmitidos pelo beijo

Chegou o carnaval. Cuidado ao beijar!

Cirurgião-dentista alerta para o cuidado bucal nesta época

Com a chegada do carnaval, vem também os alertas quanto ao abuso dos limites do corpo, seja na bebida alcoólica ou dormindo e comendo pouco. Isso porque um dos primeiros locais onde vão aparecer os sintomas desses abusos é na boca. É nela que, logo que a imunidade fica baixa, surgem problemas como herpes, mononucleose ou “doença do beijo” e até o famoso sapinho. Essas doenças provocam desde simples feridas a fungos e dores no corpo. 

Alguns vírus, como o da gripe, são tão resistentes a ponto de serem transmitidos tanto pelo beijo quanto por aperto de mão. O cirurgião-dentista Richard Cardoso explica que bactérias, vírus e fungos presentes na saliva podem ser transmitidos pelo beijo, o que é bastante comum nessa época. 

Até mesmo a caxumba, um antigo vilão viral, pode se manifestar nos foliões menos precavidos. “A caxumba ainda é recorrente e pode aparecer. Na semana passada, recebemos uma paciente com caso confirmado”, diz Richard. Segundo o cirurgião-dentista, essas doenças podem se manifestar em 15 ou 20 dias, dependendo do sistema imunológico de cada um. 

Richard enfatiza que a melhor dica é sempre a prevenção, mantendo a higiene bucal em dia, escovando os dentes, usando fio dental e enxaguante. Segundo Cardoso, o excesso de álcool, a má alimentação, dormir menos que o habitual e não tomar água durante a folia são grandes facilitadores para que todos esses problemas floresçam. “O paciente tem que ter ciência que nem tudo é festa. Acaba tendo dor de cabeça depois com todos esses problemas. Não adianta abusar de bebida alcoólica porque, depois, vem a consequência. Isso pode vir a desenvolver.”

Cardoso ressalta que, em casos graves, como HIV ou sífilis, os riscos são praticamente nulos, mas casos isolados podem aparecer. “Ocorre a transmissão, mas, para isso, a pessoa precisa estar muito debilitada e com sangramento na boca”, finaliza. Como orientação, ele alerta que o ideal é o paciente manter consulta de rotina com o dentista para ficar com a saúde bucal em ordem, cuidando constante.


Uso de medicamentos e excesso de álcool podem trazer perigos

Hepatite, úlcera e efeito sedativo podem surgir da combinação de bebida alcoólica e excesso de medicamentos. Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o consumo de álcool per capita no Brasil chegou a 8,9 litros em 2016 e superou a média internacional, de 6,4 litros por pessoa, dados divulgados em maio de 2017. No mesmo ano, 4,5 bilhões de medicamentos foram comercializados no País, segundo o Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Ambos os índices, aliados à folia do carnaval, podem resultar em graves consequências para a saúde. As dores de cabeça, os enjoos e tonturas da ressaca podem levar à busca de alívio rápido sem se importar com os perigos. A mistura de analgésicos com álcool, por exemplo, pode resultar em sangramentos no estômago e perda da coordenação motora. Já a superdosagem de paracetamol eleva o risco de danos ao fígado.

O Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo alerta sobre a necessidade de buscar orientação farmacêutica antes de consumir qualquer medicamento, mesmo os que não precisam de receita.

O CRF-SP destaca ainda a prática ilegal de algumas farmácias que colocam à venda os chamados “kits ressaca”, normalmente um saquinho contendo vários medicamentos. Essa prática é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e deve ser denunciada. O telefone para denúncias do CRF-SP é 0800-7702273. 

LINK CURTO: http://folha.fr/1.388908