Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba

Charles Borg: Primeira voz

É Santa esta Semana! Será de verdade a medida que o fiel se compenetre do profundo sentido de cada gesto de Jesus, de cada frase sua, revividos e registrados quase que cronologicamente no desenrolar do Tríduo Pascoal. As celebrações da Semana Santa se apresentam como formidáveis oportunidades para a comunidade dos fiéis se aproximar ainda mais de Jesus Cristo. 

É preciso, pois, captar a motivação básica dessas celebrações. A liturgia não pretende apenas recordar os derradeiros momentos da vida de Jesus. Busca enxergá-los em sua dimensão de mistério da fé. Mistério, na linguagem bíblica e litúrgica, indica um acontecimento que ultrapassa a capacidade intelectual da mente humana. Demanda, para sua assimilação, uma aproximação reverente e contemplativa. Com a consciente prontidão de transformar verdades em atitudes. 

Neste esquema pedagógico e catequético, as celebrações do Tríduo Pascal reaproximam naturalmente o fiel ao Senhor Jesus. A semana vai se tornando santa à medida que esta aproximação se aprofunde. Sem ternura e humildade fica impossível conhecer Jesus!

O Tríduo é uma celebração em três períodos, a começar na Quinta-feira Santa, passa pela Sexta-feira da Paixão e encerra-se jubilosamente na imponente Vigília Pascal. O ponto alto de toda Semana Santa é a Vigília Pascal! Considerada desde os tempos mais antigos a mãe de todas as vigílias! Pena que nesses últimos tempos o horário da celebração da vigília, em muitas comunidades, vem sendo antecipado, de modo que a cerimônia se encerre no próprio sábado, quebrando a sutil, mas significativa, pedagogia de anunciar o ressuscitado nas primeiras horas do primeiro dia de semana. 

A Ressurreição do Senhor inaugura o novo tempo do Reino, o dia sem ocaso! Recheada de rituais impactantes, alguns de beleza plástica singular, a vigília conduz o fiel a experimentar várias “páscoas”! A bênção do fogo lembra o universo que do caos passa para a harmonia, o Círio guia a comunidade a sair das trevas para a luz, as leituras bíblicas evocam a trajetória da história da salvação, culminando na proclamação da vitória daquele que, ao passar pela morte, a vence definitivamente. 

A celebração do Batismo, e a renovação do mesmo, induzem os fiéis a viver sua própria páscoa, passando da morte do pecado para o renascimento na vida da graça. EU CREIO, proclama solenemente cada fiel. Ao manifestar sua total e incondicional adesão, o fiel declara ser Jesus Cristo a primeira voz a que dá atenção e a que segue. Passa-se, então, para a celebração Eucarística. 

Em sintonia com a cultura universal, todo grande acontecimento merece correspondente banquete. Alimentado com o Pão do céu, o fiel experimenta o seu derradeiro momento de páscoa! Sai da celebração com a jubilosa missão de fazer acontecer os novos tempos! A vida e o amor vencem! 

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