Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba

Charles Borg: Na escola de Maria

O que se conhece, de confiável, sobre Maria, a mãe de Jesus, tem, como fonte, as Sagradas Escrituras. Motivos sérios, portanto, não há para contestar a evidência que o livro inspirado lhe dedica. Preconceitos aparte, e descontando exageros de religiosidade popular, a relevância de Maria na obra da salvação fica evidente. Encarnando-se, o Filho Unigênito de Deus escolheu ter uma mãe, como qualquer outro ser humano. 

Por graça divina, Maria foi a escolhida para ser esta mulher. Novamente, preconceitos a parte, ela mereceria receber as mais distintas homenagens, em especial por quem se diz crente. Quando, então, se toma conta que, na condição de mãe, ela nunca se antepõe a seu Filho, ao contrário, profunda conhecedora da sua pessoa e da sua missão, ela encontra sua maior satisfação em querer apresentá-lo a um número maior de pessoas, justifica-se a recomendação do anjo a José, seu prometido esposo: não tenha medo de receber Maria em sua casa! 

Sem se enveredar em escritos outros, mas mantendo-se fiel ao que é registrado no Evangelho, o crente ouve de Maria a seguinte instrução: faça o que ele disser. Para o crente, o alcance dessa ordem ultrapassa os limites da humilde aldeia na Galiléia. Com Maria se aprende a realizar tudo o que Jesus pede. Sem questionamentos e sem tendenciosas leituras. 

Lucas, destacadamente o mais mariano de todos os evangelistas, recorre com frequência a um refrão que, ao mesmo tempo em que joga preciosa luz sobre a personalidade da mãe de Jesus, insinua outra lição singular que se aprende com ela. Nas situações que superavam seu entendimento, Maria é reportada guardando no coração os acontecimentos. No momento não entendia, mas procurava alargar sua compreensão, meditando em silêncio. Sem alarde, Maria deixa claro que quem pretende conhecer Jesus, necessita de silêncio, de tempo, de reflexão. Frequentemente, de espera! A pessoa de seu Filho, sua vida e missão ultrapassam categorias e fronteiras humanas e quem deseja compreendê-los, precisa treinar-se a se livrar de condicionamentos humanos. 

Num mundo tão cheio de sobressaltos e de brutalidades, emerge uma escola de esperança, a escola de Maria! Nessa comunhão, a mestra é especialista em uma principal matéria: fazer conhecer Jesus, seu Filho, o Príncipe da Paz, o Homem que mais amou o homem! Quem, livre de preconceitos, frequentar a escola de Maria, ficará, certamente, fascinado com a pessoa de seu Filho. Espontânea e alegremente, seguirá seu salutar e atemporal conselho: faça o que ele disser!

Resplandece, no dia dedicado às mães, o exemplo de Maria. Apela forte o convite para as mães, todas as mamães, se inscreverem na escola de Maria!

LINK CURTO: http://tinyurl.com/m5rsvew