Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba

Charles Borg: Migrantes e refugiados (2)

É praxe no primeiro dia do ano, dedicado à paz universal, o papa divulgar uma mensagem com o propósito de motivar pessoas e boa vontade a promover a paz entre as nações. A cada ano é escolhido um tema, sempre relevante, sobre o qual é preciso refletir e tomar posição. Para este ano, o papa Francisco escolheu abordar o desafio dos migrantes e refugiados. Semana passada, neste espaço, apresentei alguns trechos da mensagem do pontífice. Seguem mais alguns trechos para uma oportuna reflexão.

A sabedoria da fé nutre o olhar, capaz de intuir que todos pertencemos a uma só família, migrantes e populações locais que os recebem, e todos têm o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino é universal. Aqui encontram fundamento a solidariedade e a partilha. 

Precisamos promover a solidariedade, a fraternidade, o desejo de bem, de verdade e de justiça. Este olhar contemplativo saberá guiar o discernimento dos responsáveis governantes, de modo a impelir as políticas de acolhimento até ao máximo dos limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido, isto é, tomando em consideração as exigências de todos os membros da única família humana e o bem de cada um deles.

Oferecer a requerentes de asilo, refugiados, migrantes e vítimas de tráfico humano uma possibilidade de encontrar aquela paz que andam à procura, exige uma estratégia que combina quatro ações: acolher, proteger, promover e integrar. 

Acolher representa a ampliação das possibilidades de entrada legal para refugiados e migrantes sem os repelir precocemente. Proteger lembra o dever de reconhecer e tutelar a dignidade inviolável daqueles que fogem de um perigo real em busca de asilo e segurança e impedir a sua exploração. Promover alude ao apoio para o desenvolvimento integral de migrantes e refugiados. Desejo sublinhar aqui, a importância de assegurar às crianças e aos jovens o acesso a todos os níveis de instrução. Por fim, integrar significa permitir que refugiados e migrantes participem plenamente na vida da sociedade que os acolhe.

Almejo, do fundo do coração, que seja este espírito humanitário a animar o processo que, no decorrer de 2018, levará à definição e aprovação por parte das Nações Unidas de dois pactos globais: um para migrações seguras, ordenadas e regulares, outro referido aos refugiados. Só assim o necessário realismo da política internacional não se tornará uma capitulação ao cinismo e à globalização da indiferença. De fato, o diálogo e a coordenação constituem uma necessidade e um dever próprio da comunidade internacional.

Que o Senhor nos conceda a todos fazer a experiência de que o fruto da justiça é semeado em paz por aqueles que praticam a paz!

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