Celular da confusão

Inconformado com “punição” à filha, pai pede indenização ao Estado por aplicar normas

Uma estudante da Escola Estadual Arthur Leite Carrijo foi flagrada utilizando o aparelho celular durante uma aula. Advertida, teve o aparelho apreendido, com base no regimento interno da escola, que prevê o uso somente para fins pedagógicos. O celular deveria permanecer retido por dez dias, sob a tutela da direção.

A confusão foi armada quando o pai da adolescente de 16 anos, que tomou a decisão de utilizar o aparelho em hora imprópria, foi até a direção da escola para retirar o celular, sendo informado de que deveria permanecer apreendido, conforme as regras. Alegando que o celular era para trabalho e a filha o ajuda no período oposto aos estudos, tentou, de todas as maneiras, reaver o aparelho. Não conseguiu, pois, afinal, normas são normas. Lição número um: para cada ação, existe uma reação.

Inconformado com a “punição” à filha, o pai procurou um advogado e, agora, pede indenização ao Estado pela aplicação das normas pelo estabelecimento educacional. Entretanto, o que menos se vê é o propósito educacional da medida, de fazer cumprir o que as leis determinam. Tenta-se, a todo custo, ir contra o que é público e notório para todos os alunos. Lição número dois: aceitar as consequências dos atos.

Educação passa longe daqueles que mais deveriam primar por ela. Atualmente, crianças e jovens não são mais orientados em casa e a responsabilidade passou para a escola. Assim, surge a obrigação de imposição de normas e punições mais rígidas para ajudar na formação de seres humanos aptos a conviver em uma sociedade.

Se o aparelho de celular era tão importante, a filha deveria ter sido orientada a deixá-lo na bolsa ou, até mesmo, em casa, já que as normas da escola são conhecidas. Por motivos torpes como este, e que deveriam ser tomados como exemplo, professores já foram agredidos em sala de aula e perdem, a cada dia que passa, o seu valor perante a sociedade escolar, principalmente em se tratando de alunos e suas famílias. 

A conduta de “passar a mão na cabeça” de crianças e adolescentes que crescem sem regras e limites tende a transformá-los em adultos que não poderão sofrer frustrações, pois não saberão lidar com elas. Serão adultos incapazes de gerir a própria vida, permanecendo atrelados aos seus pais mesmo após o término da vida escolar, vivendo como apêndices.

O que se deve aprender deste fato? A lição número três: a lei é para todos e deve ser cumprida e respeitada. Se crianças e jovens não aprenderem isso em casa, serão considerados inaptos para viver em sociedade. 

Aos adultos que hoje reclamam da falta de segurança ou de educação dos mais novos, que coloquem a mão na consciência e vejam a sua parcela de culpa. Que enxerguem o quanto contribuíram para que isto ocorresse e passem a agir diferente. Como diz Içami Tiba: “Quem ama, educa”. Dizer não é uma forma muito eficaz de educar e ensinar os mais novos a lidarem com as frustrações. Ninguém pode tudo.

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