Carreira política

Culpa de quem? De quem vota sem conhecer seus candidatos, por cabresto ou troca de favores pessoais

A notícia de que a Câmara dos Vereadores de Araçatuba quer reduzir o número de parlamentares soa muito bem aos ouvidos da população. A cada dia que passa, o povo parece estar se conscientizando de seus direitos e deveres junto aos órgãos públicos e, principalmente, da importância de sua participação, efetiva, na política em geral. 

Não fosse o estado de descrença que está latente em todos, talvez a política brasileira não figurasse na lista das mais corruptas do mundo, onde os representantes do povo abandonam seus afazeres no setor privado para se dedicar, única e exclusivamente, a uma vida de luxos e luxúrias protagonizadas com o dinheiro público.

Culpa de quem? De quem vota sem conhecer seus candidatos, por cabresto ou troca de favores pessoais. Quem vende seu voto esquece que, em troca de um benefício ínfimo, é obrigado a amargar longas filas de espera para o atendimento médico, para vagas em creches, os constantes buracos no asfalto, o aumento da violência e a falta de infraestrutura que tanto judiam da população. 

Enquanto deputados e vereadores brasileiros forem tratados com mais dignidade do que professores ou médicos que atendem no serviço público, ou ainda do que policiais ou bombeiros que arriscam suas vidas na luta pela redução da criminalidade ou realizando salvamentos, o Brasil não sai do buraco.

Voltando ao nível municipal, em comparação com países extremamente ricos, o Brasil é uma aberração em termos de vencimentos dos políticos. Matéria recente veiculada na grande mídia nos dá uma pequena amostra do que a civilidade e a consciência de coletivo pode fazer pela população. 

“Na Suíça, política é considerada como um envolvimento popular. É um sistema de milícia. Ou seja, não é um sistema profissional. Tanto que somos obrigados a ter um emprego paralelo, a ter uma profissão paralela. Não se pode viver com essa indenização. Não existe deputado profissional”. 

A frase é do deputado suíço Guy Mettan, que está na vida pública há 18 anos e vai ao parlamento de scooter, não utiliza carro oficial e recebe salário inferior ao de um fabricante de queijos. Sem outros benefícios. A Suíça é um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo.

Se o povo não consegue alterar as leis, pois quem faz as leis são os parlamentares, resta eleger aqueles compromissados com os anseios populares. Com este pensamento, não é nem preciso que haja tentativa de autopromoção ao colocar para votação projetos de lei fadados ao insucesso, como tem sido visto constantemente ocorrer com os projetos para redução do número de vereadores, e que em nada colaboram para a melhoria do sistema representativo da população. Ao reduzir o chamariz (salário), os tubarões ficarão de fora e se terá políticos com o intuito de trabalhar pelo povo.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.394472

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