Proporcionam carinho e afeto para crianças desprovidas de pais

Carinho de mãe

Três mulheres revelam a emoção de ser voluntárias

Ser mãe é doar-se. Essa é a conclusão a que se chega ao observar a história de caridade realizada por três mães, que, além de seus filhos biológicos, também dispõem de tempo para acolher aqueles que não possuem o amor materno na totalidade de sua essência.
Voluntárias no orfanato Lar Caminho de Nazaré, Maria Cristina Puorre Luvisari Furtado, Silvia Mara Bizzarri Gonçalo e Aline Meireles dedicam parte do seu tempo para ajudar nos trabalhos da casa, além de receber o afeto que as crianças têm a oferecer.

A ação é realizada também por uma série de outras mães, porém para isso é necessário que seja feito um pré-cadastro: depois, a diretoria da entidade faz uma entrevista para posterior aprovação. "Primeiramente, elas têm que vir até a entidade para fazer uma visita e preencher um formulário. Depois, nós analisamos e fazemos uma entrevista com a interessada para ver se ela se encaixa no perfil de voluntariado", explica a psicóloga do Lar Caminho de Nazaré, Patrícia Galvão.

AFETO
Maria Cristina iniciou seu trabalho no Lar há 13 anos. Em seu início, a casa acolhia mais de 20 crianças. "Elas não eram órfãs, só corriam riscos, sofriam maus tratos. Sendo assim, eram encaminhadas por período temporário, pois de acordo com o estatuto da criança e do adolescente, elas não podem permanecer por mais de 2 anos sem uma família. Mas, infelizmente, há crianças que estão até sem nome, com esperança de ser adotadas", lembra. "Sempre que podia nos períodos de férias, levava algumas crianças para a minha casa e dava muito carinho, atenção e lazer".
A mãe voluntária explica que quando uma criança é tirada de sua família, ela sofre muitos traumas, pois sua identidade também é tirada. "Ela fica muito carente e abalada emocionalmente e eu, como voluntária, sofria em vê-las sofrendo".

Aline Meireles, conta que começou a se dedicar em abril de 2016. O filho dela deu início a um trabalho na casa e por intermédio dele ela passou a conhecer as demais ações empreendidas pela entidade. "Comecei a ajudar no bazar e, hoje, ajudo a entregar lanches, além de ser monitora".
Já Silvia Mara relembra que suas ações solidárias vêm de antes de sua chegada a Araçatuba. Vinda de Curitiba, ela já carregava no “currículo” uma série de trabalhos sociais. "Quando me mudei para Araçatuba, conheci o Lar Caminho de Nazaré por intermédio de minha filha, que já morava aqui, e fui fazer uma visita. Adorei e acabei passando a auxiliar a entidade, o que faço desde 2016", conta.

DOAR-SE
Cada uma delas tem sua realização ao participar do trabalho social com as crianças. "É gratificante fazer parte da vida dessas crianças. Já assisti muitas delas chegarem e saírem do lar e sempre fico torcendo e rezando para Deus cuidar de suas vidas, pois necessitam de muita atenção e carinho. São jovens cheios de sonhos, como qualquer outro, e necessitam de um olhar a mais por parte da sociedade e do poder público", se emociona Maria Cristina.

"Eu amo crianças, sempre tive facilidade com elas. Sinto que consigo fazer o meu papel aqui dentro pois elas são muito carinhosas comigo. É uma troca natural, de carinho e de amor. Nós, que somos mulheres, temos o instinto materno e me sinto como mãe mesmo", destaca Silvia Mara, que externa: apesar de todo o amor recebido pelas crianças, "a maior carência é a de ter um lar, com um quarto, uma mãe, um pai, um lugar dele como filho mesmo. Uma carência natural".

Aline Meirelles enfatiza que a carência dessas crianças é, em sua maioria, emocional. “Pouco importa para elas se o ambiente familiar é insalubre, elas querem é estar perto dos pais. As crianças, quando começam a morar na casa estranha, apresentam diversos transtornos emocionais que marcam o processo de desenvolvimento". Ela ainda destaca que tenta mostrar para os pequenos que amor pode ser recebido de qualquer ser humano, desde que este esteja disposto e não meça carinho e atenção".

EDUCAR
No voluntariado, as mães acabam realizando também o trabalho de educar as jovens crianças. "É igual aos filhos da gente. Tem hora que temos de falar "não" e isso acaba desagradando, pois não podemos deixá-las fazer uma coisa que é prejudicial e elas. Mas tem hora que estou sentada no chão, brincando, contando histórias e fazendo uma pintura e dá para ver a alegria delas, o que resulta em uma boa relação. Faço tudo com amor, mesmo quando não tem o sorriso", revela Silvia Mara.
Já para Maria Cristina, "mãe é símbolo de amor". Ela relembra que, entre os jovens, "sou mãe de muitos ali" e, com isso, se vê na responsabilidade de "educar, orientar e tentar mostrar para eles que a vida tem que ser vivida em prol ao amor".

"Tenho muitos dos que estão lá como meus. Existem vários tipos e figuras de mãe. Mãe não é somente aquela que gera, mas sim a que está disposta a amar aquelas crianças. A figura das mães sociais que trabalham na instituição, psicóloga, assistente social, representam esse papel na vida de cada um que lá está. Fazemos de tudo para que aquelas crianças conheçam o caminho do bem. Estamos em paz em relação a isso. Nosso trabalho é muito gratificante", finaliza a mãe voluntária.

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