Caos na saúde de Araçatuba: novos capítulos da crise sem fim

Araçatuba tem assistido, nos últimos dias, a novos capítulos de uma crise que se arrasta há anos e ainda parece muito longe de um desfecho: a saúde pública. No intervalo de uma semana, vieram à tona quatro novos episódios: o prejuízo de R$ 8,5 milhões provocado aos cofres públicos municipais por empresas que atuaram neste setor e também na assistência social nos últimos três anos; a informação de que o centro de especialidades médicas (o “postão” funcionará junto ao NGA (Núcleo de Gestão Assistencial); novos relatos de falta de remédios na farmácia municipal e, por fim, a quebra de três ambulâncias do Samu (Serviço Móvel de Atendimento de Urgência).

O primeiro caracteriza a má gestão do dinheiro público; o segundo, anúncio de medida de caráter duvidoso a fim de dinamizar um atendimento; e os dois últimos, a precariedade de serviços considerados essenciais.

A soma de todos esses problemas produz um resultado nocivo, que traz como maior prejudicada a população dependente da rede pública. Em primeiro lugar, está claro que, diante de tantos problemas preocupantes, a controversa terceirização não resolveu o caos no setor, que, antes mesmo de 2014, quando as OSs (organizações sociais) começaram a prestar serviço na cidade, já era existente. Pelo contrário, rios de dinheiro foram gastos e a qualidade, ao que parece, só se deteriorou.

Em segundo, a mudança de endereço de um dos principais serviços de saúde de Araçatuba — a do “postão” — enche de dúvidas parte da classe médica, que considera o NGA distante para a maior parte dos usuários, além de a estrutura não ser vista como suficiente para atender a demanda.

Em terceiro, a carência de medicamentos e de ambulâncias só faz valer a máxima de que a população está, literalmente, na mão. O deplorável estado das viaturas da saúde, novamente mostrado por esta Folha, em reportagem na edição de ontem, fez com que a administração municipal disponibilizasse uma ambulância sanitária, que, no entanto, não tem condições de acomodar sequer profissionais e equipamentos. Com isso, pacientes que precisam se deslocar ao Pronto-Socorro Municipal devem ir por conta própria ou por meio de veículo dos bombeiros, que, por sua vez, também está quebrado.

Ainda em seus primeiros meses, o governo de Dilador Borges (PSDB) já deve ter percebido o quanto precisará encontrar caminhos para aprimorar a gestão na saúde de modo que o que está ruim não se agrave. Cada centavo do enxuto orçamento nesse campo precisa ser bem aplicado e o atendimento básico, tratado como prioridade. Com a mudança de mentalidade na forma de gerir a saúde, o setor poderá dar seus primeiros passos para superar essa longa crise, da qual a população já cansou de ser vítima.