Thais Duran, atualmente, alça novos voos na capital paulista

Cantora penapolense agora é cidadã araçatubense

Com um projeto novo no gatilho e uma determinação feminina única, Thais conversou sobre os projetos futuros, aspirações e o começo de sua carreira

A penapolense que viveu a maior parte da vida em Araçatuba e agora desbrava o território da capital paulista é uma cidadã araçatubense em definitivo. Recentemente, Thais Duran recebeu, da Câmara Municipal, o título de Cidadã Araçatubense, concedido pela vereadora Beatriz Nogueira.
 
Thaís Duran tem um tipo de voz bastante característico e, em suas canções, o timbre forte traz uma sonoridade ainda mais marcante. Depois de vários anos de experiências com grupos e músicos de Araçatuba e região, ela agora mudou sua rotina para alavancar ainda mais sua carreira.
 
Com um projeto novo no gatilho e uma determinação feminina única, Thais conversou sobre os projetos futuros, aspirações e o começo de sua carreira, numa entrevista informal e deleitante para esta Folha. Confira a seguir.
 
Quando você começou a cantar?
Comecei e estudar música com seis anos de idade, fazendo coral. Apresentei-me pela primeira vez aos oito anos e comecei profissionalmente aos 14 anos de idade, quando ganhei meu primeiro dinheirinho. Então, sempre cantei profissionalmente, com outros trabalhos paralelos, mas a música sempre foi profissão além de arte.
 
Que seu estilo preferido?
Eu gosto de vários estilos. Gosto de música boa. Gosto de samba, que é o que me dedico a cantar. Mas amo Rock, Jazz, Blues, Bossa Nova. Enfim, gosto de música boa. Até uma moda de viola me cai bem, daquelas bem antigas.
 
Quais cantores(as) mais te influenciam?
As cantoras que me influenciam são tantas. Gal Costa, Elis Regina, Clara Nunes, Beth Carvalho, Alcione. São as clássicas que me influenciam muito.
 
Quando você decidiu transferir-se para São Paulo?
Decidi mudar para São Paulo assim que comecei a gravar meu CD, pois as oportunidades começaram a aparecer. Infelizmente, Araçatuba é muito longe. Quinhentos quilômetros, se alguém me chama para fazer alguma coisa, participar de algum evento, show, eu tenho que estar por aqui para não perder a oportunidade.
 
Como está a carreira em São Paulo? Qual a diferença daí para Araçatuba?
Minha carreira está indo bem. Estamos mudando algumas coisas, estou com uma nova produtora aqui. Estamos trabalhando em alguns projetos no samba, que eu ainda não posso falar, mas vamos mudar algumas coisas para poder crescer mais. Está muito legal, está deslanchando bem, estamos trabalhando muito para que a gente tenha resultado. A diferença de Araçatuba para São Paulo é nítida. Aqui é imenso, está todo mundo aqui, as oportunidades estão aqui. Eu amo Araçatuba, mas para crescer a gente precisa voar.
 
Quais são, atualmente, seus projetos para o futuro?
Tenho muitos projetos para o futuro. Bastante. São coisas que eu ainda não posso falar nada. Vem muita novidade por aqui, com a ajuda desses produtores, o negócio vai acontecer bem bacana. Eu não posso divulgar nada sem falar com eles, até porque está acontecendo. Além do meu CD vem música nova por aí. E o melhor, música minha, composição minha.
 
Como foi cantar com escolas de samba paulistanas?
Puxar um bloco de carnaval aqui em São Paulo foi demais. Cantar junto com o pessoal das escolas de samba também. Ano passado eu comemorei meu aniversário junto com a cartilha do Samba, no Peruche. Não tem preço. É demais. Esse ano veio aquela multidão acompanhando o trio elétrico, cantando junto, curtindo o meu som. E eu podendo mostrar minha cara. É muito mais difícil quando a gente é de fora, então eu estou me realizando. Ano que vem tem mais. Esse ano foi um esquenta. Estou muito feliz com minha carreira, muito contente.
 
Como você observa o cenário musical atual? Está difícil se inserir nesse universo atualmente? O público ainda aprecia uma boa composição?
O cenário da música está mudando a cada dia. No samba ainda é muito mais difícil, principalmente para as mulheres, mas vemos que a mulher tem feito coisas lindas. Estamos conseguindo conquistar nosso espaço. É difícil se inserir no universo do Samba, mas eu não estou sozinha, tem muita mulher por aqui e estamos todas de mãos dadas, todas juntas, sem competição, porque a mulherada toda junta é revolução, não competição.
Então a gente está crescendo a cada dia. Logo menos o pessoal vai sentir o impacto. É que a gente não aparece muito na mídia, pois falta patrocínio, falta dinheiro, mas logo o público vai ver a gente por aí, quebrando tudo, no mundo inteiro. O público aprecia uma boa composição, sim. É enfiado goela abaixo das pessoas músicas sem conteúdo nenhum.
O brasileiro, como gosta de se divertir, aceita e vai dançar, mas eu tenho certeza que as pessoas ainda gostam de uma boa composição. As pessoas estão preocupadas. A gente tem feito bastante música boa por aqui e eu sei que aí, tem muita gente boa compondo. Então, sim, as pessoas apreciam uma boa composição.
 
Como se sentiu recebendo o título de Cidadã Araçatubense?
Receber o título de cidadã araçatubense foi uma honra muito grande, pois eu sempre me senti daí. Eu levo o nome de Araçatuba para onde quer que eu vá. Eu cantei no Rio de Janeiro no "Quintal do Pagodinho" e lá eu falei que era de Araçatuba. Eu posso cantar em São Paulo, Minas, eu vou falar que sou de Araçatuba. Foi onde eu aprendi a maioria das coisas que sei, inclusive na música. Foi muito legal esse reconhecimento da cidade para comigo, que sou mulher, sambista. Esse tipo de homenagem acontece para outras pessoas, mas eu acho que eu consegui representar a classe artística muito bem e estou muito feliz por ter sido agraciada com essa honraria. Hoje, eu sou araçatubense de verdade.
LINK CURTO: http://folha.fr/1.396680