Calçadão sem tráfego de bicicletas

Há muito tempo se fala na necessidade de abertura de novas ciclovias

Tudo bem. A argumentação é válida para uma medida como a recém-adotada em Araçatuba, de proibir o tráfego de bicicletas no calçadão do Centro. O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) veda o trajeto desse tipo de veículo em passeios públicos, classificação em que se enquadra o principal corredor comercial da cidade.

Por outro lado, a restrição abre questionamentos. O que tem sido feito no município para o estímulo à prática de andar de bicicleta? Trata-se de um meio de transporte barato e não poluente, sendo, portanto, de grande valor sob o ponto de vista ambiental. Sem falar das vantagens que o pedalar traz para a saúde, razão pela qual, ultimamente, várias têm sido as competições de ciclismo realizadas aos fins de semana na cidade. 

Há muito tempo se fala na necessidade de abertura de novas ciclovias, modelo de pista cuja principal referência na cidade é a avenida José Ferreira Batista. O fato é que, sem opções, os ciclistas acabam se aventurando por vias de fluxo intenso, correndo riscos ou podendo ser agentes causadores de acidentes.

Ter uma organização nesse sentido, em muitas cidades, demonstra a preocupação das autoridades com um trânsito disciplinado. E, claro, ajuda a evitar que irregularidades, como as que vinham ocorrendo no Calçadão, sejam cometidas. Afinal, sabendo que existe um espaço destinado a eles, os ciclistas não usarão rotas alternativas, porém proibidas.

A preocupação com os ciclistas deve ir além. Muita gente usa esse tipo de transporte para trabalhar e/ou como ferramenta de trabalho — são os casos de entregadores e carteiros. Boas políticas de mobilidade urbana deveriam, dessa forma, levar em conta a preocupação com as ciclofaixas.

Por outro lado, a adoção de medidas como a restrição implantada no Calçadão só surtirá efeito se tiver fiscalização constante. 

Um acompanhamento da prática no Calçadão, na manhã do último dia 29, feita pela assessoria do vereador Almir Fernandes Lima (PSDB), apurou que oito ciclistas cometeram a irregularidade no período. Ou seja, mesmo com a colocação de placas de sinalização, fiscalizar é necessário. 

Ultimamente, não têm sido poucas as ações implantadas a fim de tornar o trânsito mais seguro, como a punição mais rigorosa a quem é pego falando ao celular enquanto dirige e campanhas de conscientização sobre a importância da utilização das setas dos veículos. São medidas louváveis que, no entanto, esbarram na falta de um monitoramento mais intenso.

Fica, assim, clara a necessidade de equilíbrio nas ações. Bicicletas são importantes e o trânsito precisa ter organização.

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