Bruno Raphael de Souza é empresário de educação em Araçatuba

Bruno Raphael de Souza: Dados tristes na educação

Muitos temos debatido, neste espaço, os avanços e os gargalos da educação. Otimista, sempre defendo a parceria entre famílias e instituições de ensino na formação de gerações que estejam preparadas além do currículo oficial. Precisamos de cidadãos conscientes de seus direitos e, principalmente, dos seus deveres para consigo, com a família e com a sociedade.

E nos últimos dias vimos que esta demanda é urgente e, infelizmente, ainda utópica em nosso país. A imprensa divulgou, no último dia do mês passado, dados estarrecedores que foram revelados pelo Censo Escolar 2017. Realizada pelo MEC (Ministério da Educação), a pesquisa mostra que as escolas brasileiras ainda têm deficiências quando o quesito é infraestrutura. No caso das escolas que oferecem ensino fundamental, apenas 41,6% contam com rede de esgoto, e 52,3% apenas com fossa. Em 6,1% delas, não há sistema de esgotamento sanitário.

O censo aponta a disponibilidade desse tipo de serviço como o principal gargalo, especialmente no Acre, Amazonas, Pará e Roraima, onde a situação sanitária é mais problemática. Nas escolas de ensino fundamental, a garantia de água ocorre por meio da rede pública de abastecimento na maior parte dos casos (65,8%), mas há as abastecidas por poço artesiano (17,4%); cacimba, poço ou cisterna (11,9%) ou diretamente por rios, córregos ou outros canais (6,2%). Em 10% delas, não há água, energia ou esgoto.

A tecnologia não está acessível aos estudantes em cerca da metade das escolas de ensino fundamental. Conforme o censo, “a presença de recursos tecnológicos como laboratórios de informática e acesso à internet ainda não é realidade para muitas escolas brasileiras. Apenas 46,8% das escolas de ensino fundamental dispõem de laboratório de informática; 65,6% das escolas têm acesso à internet; em 53,5% das escolas a internet é por banda larga”.

Biblioteca e ou sala de leitura está presente em pouco mais da metade (54,3%) das instituições de ensino. Em outras, faltam parques, berçários e até banheiros adequados às faixas escolares atendidas. 

Se a gente quer um país melhor, temos que voltar nossos olhos para esta triste realidade. Problemas precisam ser encarados para que possamos resolver. Se nos estados mais avançados ou nas escolas particulares até a robótica já faz parte do cotidiano das crianças, na rede pública ainda temos que instalar banheiros com rede de esgoto. 

Há uma discrepância entre Brasis que não pode ser mais perpetuada. Se as próximas gerações precisam ser criadas com valores da cidadania, a atual, que está no poder, tem que encarar o desafio de criar condições iguais para todos. Educação é o alicerce para a construção de um Brasil mais justo e perfeito. Não podemos mais adiar uma revolução necessária para que nosso país seja menos desigual hoje para ser igual no futuro. 

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