Bruno Raphael de Souza é empresário de educação em Araçatuba

Bruno Raphael de Souza: As mães e a educação

A educação vem de casa. Este é um adágio popular que representa muito bem a importância dos lares na formação psicointelectual das crianças. E neste cenário, o papel da mãe sobressai. Além de genitora, ela é quem sempre teve o privilégio e o ônus de cuidar de perto do desenvolvimento dos filhos. E mesmo hoje, mesmo trabalhando fora, ela ainda tem o papel central na construção do conhecimento dos rebentos.

No nosso cotidiano, no campo da educação, lidamos com relatos de mães que explicitam estas agruras e confessam, até mesmo, uma grande culpa por não estarem tão presentes como gostariam. Para ilustrar estas inúmeras situações, gostaria de destacar um relato feito pela mãe de família americana SybiilNiemann e que foi publicado na prestigiosa revista “FirstThings”. 

No artigo intitulado “A mãe necessária”, ela destaca a dificuldade de falar sobre como criar as crianças hoje em dia e por quem elas deveriam ser atendidas. Comentando o dilema entre trabalhar fora e ser dona de casa, afirma: “Como em assuntos como política e religião, é difícil um debate real porque a questão nos afeta profundamente e nos torna defensivos e cuidadosos”.

Com franqueza, Niemann explica que nem todas as mulheres podem ter o salário que o marido dela ganha e que lhe permite ficar em casa. Porém, admite ter deixado de lado várias coisas de que gostaria: “Há muitas mulheres que querem ficar com suas crianças em casa, mas podem não estar dispostas ao sacrifício necessário. Compreensivelmente, elas podem não estar dispostas a mudar para uma casa menor, em um local menos agradável, ou a não ter um segundo carro, ou a desistir das férias, de comer fora e ir ao cinema”.

Outro sacrifício necessário, diz, é que ficar em casa pode ser muito entediante. Como exemplo, ela cita o que acontece quando se tem uma criança de três anos. Niemann chama essa fase de “Narração”. É a época em que a criança começa a contar histórias: “Jonah conta histórias sobre os vídeos a que assiste. (...) Anda pela casa narrando o que viu. Por um momento, as histórias são uma doçura, repletas de palavras erradas engraçadas. Mas, após meses ouvindo, eu estou entediada. Um ‘Puxa, querido’ não é suficiente. Agora, aos quatro anos, quer que eu diga: ‘E o que o herói fez com ele’”?

Niemann argumenta que não há uma solução mágica para as dificuldades que uma dona de casa encontra. E conclui: “Ser pai e ser mãe é um trabalho difícil. E que nós sempre amaremos”.

Este relato me tocou profundamente, pois a sociedade deve reconhecer melhor o esforço das mães no processo educacional. E vou além, é necessário que as escolas estejam aptas a ouvi-las nas tomadas de decisões pedagógicas. Ninguém melhor que elas para dar os subsídios necessários para um processo educacional realmente assertivo.

O laço entre famílias e instituição de ensino é mais que a união formal entre duas instâncias importantes na vida da criança: é, acima de tudo, um sinal de amadurecimento de uma sociedade.