Bruno Raphael de Souza é empresário de educação em Araçatuba

Bruno Raphael de Souza: A escola não é uma bolha

Já é consenso de que o Brasil só será um país melhor por meio da educação e que isso será possível quando as escolas forem aperfeiçoadas. Como também já sabemos que unidades educacionais melhores se edificam com profissionais bem remunerados e com a inserção das novas tecnologias. Ao sabermos de tudo isso, está na hora de irmos além nesta discussão. A escola não é uma bolha, na qual os alunos chegam e deixam, do lado de fora, todas as suas frustrações e carências afetivas e materiais.

Professores e demais profissionais devem estar preparados para identificar as individualidades das crianças e dos adolescentes para definir as melhores estratégias pedagógicas. É um trabalho árduo, uma vez que os estudantes deixam de ser percebidos como uma massa uniforme para se transformarem em um mosaico rico e desafiador.

O mundo atual requer uma educação mais ativa e quase que individualizada, em que os alunos aprendam a coexistir em uma sociedade democrática por meio de experimentos no espaço escolar contextualizadas com a vida diária, contrapondo-se aos modelos de educação tradicional baseados na autoridade do professor, na passividade dos alunos e na transmissão de informações. Não é a preparação para a vida, é a própria vida e, portanto, qualquer coisa que se espere dos alunos quando adultos deve ser vivida na escola.

Nesse contexto, de uma escola mais ativa, cada unidade pública ou particular, deve também se perceber não apenas como uma fachada luminosa na paisagem urbana. Elas devem se virar para o que acontece para fora de seus muros, usado seu entusiasmo e seus recursos para ajudar a comunidade em que está inserida.

Esta construção de um Brasil melhor por meio da educação, como podemos ver, deve ir além da democratização do conhecimento. As unidades de ensino têm que ser agentes ativos na individualidade de seus alunos e na participação da solução dos problemas sociais que afetam suas crianças e suas famílias. 

Devem promover e patrocinar ações, como cursos públicos de educação financeira aos pais, atividades esportivas que combatam o sedentarismo e a obesidade, combate à violência e apoio psicológico às vítimas dos males modernos.

As escolas também podem abrir suas portas para abrigar iniciativas culturais, debates políticos, cursos sazonais que atendem às necessidades da comunidade. Neste milênio que se inicia, não podemos mais, como profissionais, oferecer uma escola medieval.
    
Bruno Raphael de Souza é empresário
da educação em Araçatuba

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