Bruno Raphael de Souza é empresário de educação em Araçatuba

Bruno Raphael de Souza: A educação e o brincar

É possível e até urgente que o educar seja, cada vez mais, uma experiência lúdica. E o brincar, nas escolas, nos últimos anos, tem ganhado um novo e necessário status. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que embasa os currículos da escolaridade básica, em todos os estados e municípios, tem incluído a interação e o brincar como eixos estruturantes da educação infantil. E, antenadas, as escolas têm feito adaptações interessantes nesse sentido.

Especialistas defendem que o intercâmbio com outras crianças e adultos é fundamental para o desenvolvimento e que os jogos de interação infantil devem ser pensados com intencionalidade pedagógica. Isso não elimina, segundo eles, a importância da inserção em ambiente letrado, mas acrescenta muito. Isso porque a exploração lúdica do mundo deve incluir as expressões escritas e o universo da leitura.

As escolas precisam estar abertas a este tema. Pois as instituições têm recebido, cada vez mais, crianças de pouca idade com rotinas de adultos. Os pais, ávidos por prepararem para um mundo supostamente mais competitivo, enchem as agendas dos filhos com atividades extras. Com isso, elas vão perdendo a ludicidade da interação com o mundo, assumindo uma postura de horário típica da vida adulta.

E estas crianças, temos observado nos estudos e na prática cotidiana da pedagogia, apresentam também sintomas de uma ansiedade prematura imposta pela sociedade de consumo. E se não bastasse isso, o correr, pular, experimentar seus limites físicos e de conhecimento também têm sido deixados de lado por causa do uso de aparelhos eletrônicos, principalmente telefones celulares ou outras plataformas como tabletes.

No estudo que se transformou no livro “Brincar - Aprendizagem para a vida”, os autores de um profundo estudo sobre o tema defendem que “brincar” é coisa séria e se reflete no desenvolvimento da criança e que esta é uma aprendizagem que levamos para o resto da vida. Os autores do trabalho explicam que nas atividades monitoradas de recreação, a criança se porta além de sua idade, e a educação precisa utilizar o lúdico como forma de aprendizagem.

A criança, diz o estudo, deve encontrar na escola um espaço para a vivência de alegria, em que ela possa perceber as diferenças entre a realidade e o seu mundo imaginário. Para que o desenvolvimento infantil seja repleto de alegrias, de paz e harmonia a criança precisa usufruir a liberdade que o brincar proporciona, defendem.

A infância, com sua riqueza e fantasia, creio, não pode ser roubada. Os meninos e meninas não podem ser condicionais à seriedade da vida adulta antes do tempo. Ela precisa de um tempo de maturação fundamental para sua formação cognitiva. Os pais devem estar atentos a esta importante fase e as escolas, sensíveis e preparadas para conduzir a infância com responsabilidade.

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