Bruno Maluly é jornalista e pecuarista

Bruno Maluly: A eleição das delações

O início de um ano de eleições majoritárias, com a aproximação das definições das chapas partidárias, levanta uma questão estarrecedora no que se refere ao cargo máximo a se ocupar pelo voto direto em nossa República.

A pergunta de um milhão de reais é: quem vai ser o próximo mandatário do país tupiniquim? Se depender da magnífica lei 135 de 2010, mais conhecida como Lei da Ficha Limpa, o cenário deve se ater a alguns nomes conhecidos, entretanto, deixará o mais bem cotado nas pesquisas eleitorais recentes fora da disputa principal.

Ao se falar das questões que envolvem a tão ressonante presidência da República — ressonante; nos termos figurativos de alvoroço, haja vista dois impeachments em um intervalo de tempo tão diminuto – um discurso dos atuais caciques do planalto e da alvorada tem chamado bastante atenção: “Que os podres morram nas urnas”.

Discurso bem afinado entre alguns nomes como Michel Temer, Rodrigo Maia, entre outros, e que caua grande preocupação, principalmente no que se planeja de forma alapardada. É possível sentir o cheiro do medo de que a Lei da Ficha Limpa acometa os atuais líderes; sentem a água da inundação, chamada Judiciário, bater gelada na ponta dos pés e pregar inelegibilidade, nesse cenário, pode sair pela culatra. Pois quando chegar a vossa hora, o discurso padeceria de premissas. Seria, no mínimo, absurdo.

A mesma água da Justiça brasileira já assolou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; paralelamente, os caciques continuam concordando que querem vê-lo derrotado nas urnas. O que não se fala, e que a grande massa talvez nunca entenda, é que o poder político-econômico é capaz de fazer, na mais correta utilização do termo, ‘um lobo em pele de cordeiro’. Tão simplista quanto o provérbio é a maneira fugaz com que se engana a maioria.

Pensadores e empresários não elegem o presidente da República. Estes últimos, porém, sabem bem quais não deveriam entrar ou ‘voltar’. Note que, na palavra empresários, não estão inseridos os ‘larápios’ da carne ou da construção, até porque, esses são apenas sanguessugas da res pública e fazem parte da conjectura de um grupo fraudulento que ajudou a afundar o Brasil em crises.

E olha que tem até aquele que pensa que o povo se esqueceu do confisco da poupança e dos motivos de seu Impeachment. Fernando Collor de Melo está a caçoar do povo brasileiro; esse, sim, será acachapado nas urnas. Piadas à parte, a verdade é que o cenário eleitoral de nossa nação, em se tratando de Presidência da República, escancara apenas, e somente o limbo.

As peculiaridades regionais-eleitorais são distintas. Uma diferença cultural e intelecto-doutrinaria do tamanho do Brasil. Erroneamente, tira-se conclusões compreendidas dentro de um círculo social. Ou mesmo a percepção mais ampla, mas se atendo apenas ao estado de São Paulo, o que está longe de refletir os anseios de todas as partes do País.

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