Alberto Alves Marques é professor coordenador da área de Ciências Humanas e Suas Tecnologias e professor de história da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo

Brasil: ano novo, problemas antigos, por Alberto Alves Marques

Em todo início de ano, a nação brasileira espera por dias melhores. Grosso modo, dias de bonança na política, sociedade, economia e cultura. Na verdade, uma realidade melhor na política seria dormir no dia 31 de dezembro de 2017 e acordar no primeiro dia de 2018 com a perspectiva de que a corrupção e a política imoral estariam extintas no País; no entanto, ocorre o inverso, pois observamos resquícios da politicagem. 

A título de ilustração, a nomeação de Cristiane Brasil (PTB-RJ) para comandar o Ministério do Trabalho, haja visto que a mesma foi condenada justamente pela Justiça do Trabalho. Aliás, na categoria economia, como esperar dias melhores se aproximadamente 40 milhões de brasileiros têm que conviver com um dos menores salários mínimos do planeta: R$ 965? 

Não obstante o arrocho salarial, inicia-se o ano, novamente, com o combustível e os impostos mais caros do globo, ou seja, o aumento no mínimo acaba voltando para os bolsos dos governos. É o velho dito popular: “dá com uma mão e tira com a outra”. Em se tratando dos aspectos da sociedade, principia o ano novo, porém algumas mazelas ainda permanecem, principalmente, quando estão em questão a saúde, educação e segurança pública. De acordo com a Constituição Federal de 1988, saúde, educação e segurança pública são de responsabilidade do Estado. 

Assim, como viver dignamente com saúde, em que são escassas as vagas para tratamentos nos hospitais públicos, quando muitos morrem nas filas de espera? Como elencar uma educação de qualidade, cujos governantes praticam descasos para com os profissionais da educação, com percentuais de aumento aquém, onerando, com isso, a categoria há quatro anos? 

O quesito segurança só funciona na teoria, dado que o nosso direito de ir e vir fica ameaçado com a falta de segurança. Podemos ir, mas não temos certeza que voltemos. Já na questão cultural, o que falar de uma nação que prefere viver no comodismo, em vez de lutar por uma educação pública e segurança de qualidade? Uma sociedade em que a maioria prefere as arquibancadas do carnaval e o BBB da Rede Globo do que revolucionar através do seu voto nas urnas Eletrônicas. 

Considerações finais: instaura-se um novo ciclo e um novo ano, porquanto ainda convivemos com problemas antigos nas múltiplas dimensões. Por que? Comodismo e zona de conforto? É uma constante, a maioria dos brasileiros não se envolve com as questões políticas, é bem mais viável esperar pelas resoluções, medidas provisórias, leis complementares e outras leis dos governantes do que fazer a revolução.
 
As resoluções com mudança na Previdência, na Consolidações das Leis Trabalhistas, entre outras, são feitas pelos políticos, por outro lado, a revolução emerge da sociedade, das escolas, do transporte, do comércio, etc. isto é, nos lugares em que as categorias convivem com uma realidade diferente dos donos do poder. E a maior revolução está em nossas mãos, nas eleições de 2018, quando iremos saber se o próximo ano será realmente novo. Acorda, Brasil!

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