Atendimento deficiente

Oferecer condições dignas a esta população é o mínimo que o Estado tem que fazer

No momento em que o transporte coletivo se vê em grande indefinição quanto ao seu futuro em Araçatuba, uma situação, no mínimo, mostra como é o desafio das pessoas dependentes desse serviço no município. 

Na semana passada, uma mulher de 27 anos levou à polícia denúncia de que não conseguiu ônibus adaptado para seu filho, de 5, que é cadeirante. De acordo com reportagem publicada na última sexta-feira pela Folha da Região, assim que chegou ao terminal urbano, no Centro, o elevador disponível para portadores desse tipo de deficiência não estava disponível. 

O fato, segundo ela, foi comunicado a um funcionário da TUA (Transportes Urbanos Araçatuba), mas, após pouco mais de uma hora de espera, ela não obteve qualquer tipo de retorno da concessionária responsável pelo transporte coletivo. Por isso, foi a pé, junto com seu filho cadeirante, até a delegacia registrar boletim de ocorrência.

Ao informar que possui 40 ônibus adaptados com elevador, a TUA demonstra a preocupação com o cumprimento das exigências legais quanto à acessibilidade. Entretanto, o episódio ocorrido na última semana sinaliza um atendimento que ainda necessita de melhorias. Seguramente, com uma quantidade de veículos como a citada pela empresa, dramas desse tipo poderiam ser evitados.

O número informado pela empresa não significa também que as autoridades públicas estejam olhando para a questão da acessibilidade com a devida atenção. Ora, uma das tantas condenações por improbidade administrativa do ex-prefeito Cido Sério (PT) é justamente por ter descumprido decisão judicial que o obrigou a promover adequações no transporte público para portadores de necessidades especiais.

Oferecer condições dignas de transporte a essa fatia da população é o mínimo que o Estado pode fazer a fim de cumprir princípios de igualdade e justiça entre as pessoas. Muitas dos deficientes físicos utilizam o transporte público para locomoção até as entidades assistenciais onde são atendidos.

Atualmente, a maior preocupação das autoridades está em solucionar o imbróglio que virou a licitação para o transporte coletivo em Araçatuba. Em processo licitatório aberto pela gestão do prefeito Dilador Borges (PSDB), não houve nenhuma empresa interessada, nem mesmo a TUA, prestadora do serviço há mais de duas décadas. É importante, portanto, que a próxima detentora da concessão, sendo a TUA ou não, trabalhe em conjunto com a administração municipal para prestar um atendimento com dignidade aos deficientes.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.389263