Casa vizinha à antiga sede da Protege ficou praticamente destruída após o assalto

Assalto à Protege: Vítimas aguardam indenizações de danos

Na ocasião foram roubados mais de R$ 7,95 milhões

No sábado (16) completou dois meses o drama das famílias que tiveram casas, móveis, veículos e outros objetos danificados na explosão provocada pela quadrilha que assaltou a sede da empresa de transporte de valores Protege, de Araçatuba. Segundo apurado pela reportagem, na ocasião foram roubados mais de R$ 7,95 milhões em dinheiro e outros R$ 162 mil em cheques.

Se a empresa possui seguro e o valor foi restituído, isso não foi informado. O certo é que ela transferiu sua sede para outro prédio, no bairro Presidente, enquanto as famílias prejudicadas permanecem aguardando um posicionamento sobre possível indenização para reparar os danos. Segundo relatos, há pessoas que tiveram que realizar empréstimo pessoal para obter dinheiro e promover reformas de urgência para poder continuar na casa. Entretanto, para duas famílias, a situação é ainda pior. Sem condições de permanecer no imóvel, elas tiveram que ir para outra casa e pagar do próprio bolso, aluguel de R$ 900 mensais.

A aposentada Carolina Grillo da Silva, 78 anos, residia com o marido, o também aposentado José Deoclides da Silva, 85, na casa que faz limite com o muro que foi explodido pelos ladrões. Outros dois casais residiam em uma edícula nos fundos do imóvel e as seis pessoas estão morando juntas, em um casa de aluguel. Carolina conta que a explosão derrubou a parede do quarto danificando todos os móveis. Também foram atingidos pelos estilhaços dois veículos que estavam na garagem, um Fusca e um Gol, além de uma caminhonete de um neto que estava na rua, em frente à residência.

SEGURO
A caminhonete era o único bem assegurado e a família foi indenizada. Para não ficar sem transporte, o neto do casal providenciou alguns reparos no Gol, mas o Fusca permanece sem condições de uso. "Na época, disseram que iriam arrumar o carro, mas até agora ninguém apareceu para dar notícia", informou.

Quanto à moradia, nos dois primeiros dias as famílias ficaram em um hotel custeado pela Protege, mas depois disso, não houve nenhum posicionamento da empresa sobre ressarcimento para reparar os danos. Segundo a aposentada, já foram realizadas três perícias na casa dela, mas até agora não há informação sobre o que será feito. "Esses dias um funcionário da Protege passou por aqui, perguntei para ele sobre a minha casa e ele respondeu que sabe tanto quanto eu", contou.

Apesar de a residência alugada ser espaçosa, Carolina conta que não vê a hora de voltar com o marido para a casa dela, primeiro pela questão financeira, já que recebem salário mínimo de aposentadoria, e também pelo conforto de estar na própria casa. "Você já foi passear na casa de alguém e depois de quatro ou cinco dias ficou com aquela vontade de voltar para casa? É assim que eu me sinto aqui", comentou.

ESPERA
Outro morador na rua Marcondes Salgado, próximo à antiga sede da Protege, também aguarda posicionamento da empresa para concluir os reparos dos danos provocados pela explosão do assalto na casa dele. A vítima, que preferiu não ter o nome identificado, contou que gastou R$ 2,5 mil para fazer os reparos básicos para continuar morando no imóvel e até então, não tem notícia sobre ressarcimento. "Eles deram um telefone para a gente ligar em São Paulo, a pessoa atende e diz que vai retornar, mas isso não acontece", informou.

O morador comentou que o ideal seria acionar a Justiça, mas devido ao valor no caso dele ser pequeno, não sabe se compensa, pelo gasto que deve ter. Para ele, o melhor seria uma ação judicial conjunta para requerer os valores devidos à empresa.

 

Defensor entende que prestadora tem responsabilidade, mas faz ressalvas

 

O defensor público Ângelo de Camargo Dalben, de Araçatuba, entende que, dada a característica da atividade desempenhada e os riscos a ela inerentes, a empresa de transporte de valores Protege tem responsabilidade objetiva pelos danos causados aos moradores do entorno e pessoas que estavam no local quando houve o assalto.

Todavia, ele ressalta que a questão é controversa e há variados posicionamentos na jurisprudência, não sendo possível garantir êxito a quem acionar a Justiça.
Dalben explica que as pessoas que tiverem interesse, podem procurar a Defensoria Pública de Araçatuba, que presta atendimento ao público de segunda à quinta-feira, com distribuição de senhas das 8h às 9h30. "A pessoa passará por uma avaliação financeira para avaliar se terá direito ao atendimento", informa.

Outra possibilidade é recorrer ao JEC (Juizado Especial Civil), onde pode se propor ação, desacompanhado de advogado ou defensor público, se o valor da causa não ultrapassar 20 salários mínimos (R$ 18.740,00). "Nas causas de valor até 20 salários mínimos, as partes comparecerão pessoalmente, podendo ser assistidas por advogado; nas de valor superior, a assistência é obrigatória", esclarece.

CASO
O assalto ocorreu na madrugada de 16 de outubro e a ação durou cerca de uma hora. Enquanto membros da quadrilha usaram caminhões para bloquear a sede do CPI-10 (Companhia de Policiamento do Interior) e o trânsito na rodovia Marechal Rondon (SP-300), outros criminosos explodiram o muro para roubar os malotes que estavam nos cofres da empresa. Um policial civil foi assassinado a tiros pelos bandidos e morreu e duas mulheres ficaram feridas. A polícia não informa detalhes da investigação, que segue em sigilo.

 

Empresa de transporte de valores não se manifesta sobre ressarcimentos


A Folha da Região encaminhou e-mail à empresa de transporte de valores Protege questionando sobre possível ressarcimento aos moradores que tiveram danos em residências, móveis e veículos com a explosão ocorrida em 16 de outubro, mas não houve manifestação.

A empresa informou apenas que cumpre rigorosamente a legislação em vigor do setor, atividade que é regulamentada pela Polícia Federal e demais órgãos competentes, e que investe constantemente em novas tecnologias para aprimorar suas operações. Após a explosão de parte do prédio, a atuação no município foi temporariamente suspensa, mas cerca de um mês após o assalto, a Protege transferiu a sede para outro prédio que já estava sendo preparado, no Jardim Presidente.

O imóvel fica na esquina com a avenida Waldemar Alves, com acesso à rodovia Elyser Montenegro Magalhães (SP-463). Aparentemente o prédio é mais seguro do que o anterior e está cercado mais por imóveis comerciais e industriais do que residenciais, ao contrário do anterior, que fica num bairro residencial.

PROJETOS
Está em tramitação na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), projeto de lei 615/2016, da deputada Célia Leão (PSDB), que proíbe a instalação de empresas de transporte de valores em perímetro urbano e fixa horário para abastecer e ou recolher valores dos estabelecimentos financeiros e comerciais. Ele foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação e a última movimentação ocorreu em maio, quando foi distribuído ao deputado Coronel Camilo (PSD).

Tramita na Câmara de Araçatuba projeto semelhante, de autoria do vereador Gilberto Mantovani (PR), o Batata. O texto prevê que empresas de transporte de valores no perímetro urbano devem estar no mínimo a dois quilômetros de colônias agrícolas, condomínios e bairros rurais com dez ou mais residências concentradas em um espaço que compreende um raio de 200 metros. A proposta dá um ano de prazo para as empresas já instaladas se adequarem.

Em nota, a Protege informa que a instalação da base operacional de Araçatuba no local é regular e devidamente autorizada pela Prefeitura e Polícia Federal.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.379699