As várias lições de um estudante

Dá gosto de ver alguém vencendo na vida pelo estudo ou pelo trabalho no atual contexto

Reportagem que estampou a manchete deste jornal na edição do último domingo (4) é mais uma daquelas histórias que mostram o quanto é válido investir na educação se o propósito na vida é ter crescimento. A matéria mostra como o jovem Adalberto Gomes da Silva Júnior, de 17 anos de idade, de Araçatuba, chegou ao primeiro lugar no vestibular para o curso de engenharia química na USP (Universidade de São Paulo). A vitória do rapaz serve ainda como uma ducha de água fria para aqueles que defendem o fim de programas de inclusão social nas universidades federais e estaduais.

Adalberto seria mais um “campeão” do processo seletivo mais concorrido do Brasil, se não fosse a história trilhada até a aprovação. Egresso de escola pública e oriundo de família humilde, Adalberto, ao consultar os resultados do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), descobriu que não só havia sido aprovado para o curso pretendido como chegou ao topo da classificação.

O desempenho do garoto revela, portanto, que ele não só se beneficiou de um programa governamental, mas demonstrou ter sólida formação obtida no ensino médio. Sua média foi 772,68, ao passo que a a nota de corte era 730,13.

O êxito desse jovem também não motivaria uma manchete de edição de domingo no jornal se histórias como essas fossem tão raras no País. Isso, mesmo que, já há algum tempo, haja tantos programas de inclusão, como Prouni (Programa Universidade para Todos), Fies (Financiamento Estudantil) e o próprio Sisu. Não se pode deixar de citar as cotas raciais, que, apesar do avanço na adesão das instituições de ensino superior, são motivos de controvérsias.

Por outro lado, o primeiro lugar do estudante araçatubense traz uma reflexão ainda mais profunda. Dá gosto de ver alguém vencendo na vida pelo estudo ou pelo trabalho no atual contexto do País, em que a corrupção (ou jeitinho, ou malandragem) está tão institucionalizada em nossos representantes que “jogar limpo” parece ser “carta fora do baralho” na batalha para atingir um lugar ao sol.

De tão “comum” que virou fazer o errado no Brasil, burlar a lei ou conseguir passos largos por meios escusos, não só na política como no cotidiano, é comportamento corriqueiro. Mais interessante ainda na história de Adalberto é a valorização dos pais em seu processo educacional. Diz ele, na entrevista concedida à Folha, que, apesar da simplicidade de sua mãe e de seu pai, sempre recebeu deles o incentivo em brincadeiras que o estimulassem a pensar e a raciocinar. O resultado do vestibular coroa este trabalho. Que sirva de exemplo para todos.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.388069