Juarez Paes é chefe de cozinha em Araçatuba

Arroz, feijão, farinha, verduras, ovos, legumes e verduras - 'Só que não!'

Veja como fazer 'carinassoba'

O tempo passa e o homem evolui tecnologicamente numa rapidez cada vez mais (com a vossa permissão, leitor, para utilização de redundância ou pleonasmo) rápida, diria até imediata ou instantânea, afinal, muito do que se descobre é assim mesmo: vem de um lampejo, de um movimento, um espaço a mais, uma "nanomexida" e xeque-mate, eureca!
 
Passamos aí pelas pesquisas da medicina, física e suas ramificações, química da mesma forma, a própria computação - em toda a sua abrangência, todas e quaisquer ciências ligadas às descobertas, aeroespaciais, submarinas, arqueológicas, enfim, são tantas as possibilidades e realizações que, hoje, podemos afirmar ser impossível acompanhar ou mapear tantas descobertas e os seus desdobramentos.
 
Na mesma proporção, ou melhor dizendo, inversamente proporcional (redundarei mais uma vez), numa via paralela, com direções opostas, vem o Homem na sua involução moral, espiritual, social e política, onde valores básicos como não matar, não roubar e não mentir caminham para a extinção a passos largos, já que esses vêm se tornando regra em nome da "moral", dos bons costumes" e pasmem, de Deus!
 
Aliás, um novo deus, a cada dia mais distante do verdadeiro Deus, no qual, apenas uma ínfima parcela do contingente cristão do Planeta demonstra crer verdadeiramente, onde podemos incluir alguns ímpios e ateus, que mesmo sob esta opção não religiosa, demonstram, pelas suas ações, o verdadeiro amor pelo seu semelhante e se mantêm firmes e fundamentados nos princípios básicos. Por sinal, mais do que suficientes, caso fossem aplicados por, pelo menos, metade da raça humana para que tivéssemos um mundo mais justo e bem melhor para se viver. 
 
Trabalho atualmente com bebidas, mais especificamente com vinhos. Sou o encarregado da adega de um grande supermercado, mas claro que, como funcionário, ou, atualizando, colaborador de um estabelecimento deste tipo e tamanho, preciso estar sempre pronto para atender aos clientes de maneira geral e, para tanto, é necessário aprender um pouco e saber mais sobre os demais setores e todos os itens disponibilizados nas gôndolas e corredores.
 
Os três últimos meses, com as comemorações do Natal, Ano-novo e carnaval, mesmo sabedor do aumento da procura por bebidas alcoólicas nestes períodos, me surpreendi com a quantidade adquirida pela parcela maior dos consumidores do mercado para os festejos citados. Dei-me conta de que se, em apenas uma unidade de uma cidade do interior a procura e demanda foi de tal volume, com toda a certeza chegou a números astronômicos em todo o País e também pelo mundo.
 
Chamadas como "Beba com moderação", "Se beber, não dirija" e "Beber socialmente" diante da quantidade de bebidas compradas e, portanto, ao alcance e deleite dos seus "apreciadores", infelizmente, foram seguidas por uma minoria que podemos considerar insignificante, uma gota em um mar de álcool.
 
O que mais me chamou a atenção, além, da quantidade de bebidas, foi a de que se comprou (e se compra) muito menos alimento, mas, muito menos mesmo, numa proporção que se medida mostraria números assustadores, arroz, feijão, leite, ovos, farinha, legumes e verduras, proporcionalmente não chegam a preocupantes 40% do consumo geral.
 
Aproveitei para fazer um pequeno exercício com números aproximados de como seria se (sem comparações com o dízimo, é apenas um valor como base de cálculo), cada pessoa que comprou qualquer bebida com teor alcoólico, abrisse mão de ingerir e, consequentemente, adquirisse 10% menos bebidas, revertendo este valor para a compra de alimentos a serem distribuídos entre os semelhantes mais desfavorecidos?
 
Tomando como base o valor da latinha de cerveja mais barata (representando todos os tipos de bebidas alcoólicas), levando-se em consideração um giro diário, em todo o Brasil, de 23/12/17 à 13/02/18 no valor hipotético de R$ 500 mil, teriam sido arrecadados R$ 22 bilhões. A partir daí, dá para imaginar quanta gente que não teve e poderia ter tido um final e começo de ano bem melhor, de mesa farta!
 
Agora, imagine esta conta no período de 12 meses? É, seria maravilhoso. Mas quando é que você já ouviu: 
 
-"Vamos tomar menos uma"?
 
PS: Não elenquei a carne ao lado do arroz e do feijão, devido a uma enorme parcela dos bebedores pertencerem à turma do churrasco, que costuma deixar queimar, mas, não abre mão de uma linguiça sequer!
 

'Carinassoba'

 
Você vai precisar de: -350g de macarrão instantâneo para Yakissoba; -1 folha grande de acelga lavada; -200g de filé de frango em iscas; -shoyu qb; -1 berinjela pequena sem sementes em cubos; -2 dentes de alho picadinhos; -1 cebola pequena em lâminas; -10 folhas de manjericão; -1 colher de sopa de manteiga (animal); -1/2 copo de requeijão cremoso sem amido; -1 xícara de queijo meia-cura em cubinhos; -1 colher de café de açafrão; -sal e p. calabresa qb.
 
Preparo: Ferva água com sal e óleo. Numa panela antiaderente, aqueça a manteiga, coloque o alho e deixe fritar até que comece a dourar junto o frango e frite também até dourar, coloque pimenta do reino, junte a cebola, a berinjela e o açafrão, refogue por uns 3 minutos, acrescente meio copo de shoyu e em seguida o requeijão. 
 
Na panela com a água, cozinhe o macarrão instantâneo (4 minutos), escorra e imediatamente junte ao molho na panela, desligue o fogo, junte o queijo e as 7 folhas de manjericão, mantenha a panela tampada, enquanto num prato grande coloque a folha de acelga e de imediato ponha o macarrão dentro da folha, decore com as 3 folhas de manjericão restantes. Um bom vinho Chardonnay (embora não haja frutos do mar) vai fechar divinamente com o buquê de aromas dessa receita.
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'GASTRONOMIA'
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