Na maioria das vezes, tese para corte é de que estão 'aparentemente doentes'

Arborização em Araçatuba segue abaixo do recomendado pelas Nações Unidas

Por mês, ocorrem 70 podas em média

Como estabelecer uma política de arborização em Araçatuba diante de ações pouco incisivas para plantio e tantos pedidos de corte de árvores? Este é um dos desafios do poder público quando o assunto é atingir os 30% de arborização recomendados pela ONU (Organização das Nações Unidas). Hoje, esse índice na maior cidade da região está bem abaixo do preconizado: 12%. Segundo estatísticas da Prefeitura, por mês, são feitas, em média, 70 podas na cidade, todas resultantes de pedidos feitos pelos munícipes ao Executivo. 

A Folha da Região apurou ainda que, somente neste ano, vereadores aprovaram outros 19 pedidos para cortes e podas, muitas vezes sob a tese de que as árvores estão “aparentemente doentes”, na área urbana. Até o momento, a gestão Dilador Borges (PSDB) plantou 240 mudas em diversos locais da cidade, entre os quais, áreas verdes, parques, UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e instituições de ensino. 

Março e maio foram os meses que registraram o maior percentual de plantio, quando 85 e 66 mudas, respectivamente, foram somadas ao território araçatubense. Junho ficou em terceiro lugar, com 49 mudas plantadas e abril, com 39. “Estamos lutando para atingir o índice nesta administração”, ponderou, em nota, a a Prefeitura de Araçatuba.

Não foram computadas as mudas doadas, semanalmente, para plantios feitos por munícipes ou membros de sociedade civil organizadas. Conforme o Executivo, quando é feito um pedido de poda, são considerados os critérios técnicos contemplados na lei municipal que disciplina a arborização urbana, sendo o trabalho feito para aparar galhos excessivos, galhos quebrados ou secos. Em caso de necessidade de retirada de árvore, devidamente autorizada, “são plantadas mudas de espécies específicas para a arborização no local”.

CENÁRIO
Em junho de 2016, o então secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Jorge Hector Rozas, disse que o percentual estava em 11,5% de arborização no município e que, até 2020, tinha como meta aumentar este percentual para 20%. Ele ainda declarou que, para conseguir o índice, seria necessária uma equipe composta por profissionais para fazer o cultivo diário de 20 mudas e fiscalização das já existentes, baseada em lei de cobrança de multa a quem não cuidar da árvore.

No entanto, a situação é bem diferente. A reportagem percorreu, na última sexta-feira, locais onde vereadores fizeram indicações para poda e corte de árvores. Na rua Visconde de Taunay, bairro São Joaquim, três espécies foram retiradas, restando apenas parte do tronco. Já na rua Monte Castelo, Jardim América, mudas foram plantadas, porém, foram alvo de vandalismo, enquanto no cruzamento das ruas Renato Prado e Joaquim Cândido, Jardim Umuarama, pedido feito pela Câmara para o corte das três árvores no local tem como argumento a ideia de de que elas estão “aparentemente doentes”.

TRABALHOS
A Prefeitura ressaltou que a Secretaria do Meio Ambiente realizará plantio de árvores, programas de conscientização e desenvolvimento técnico do assunto, como eventos de educação ambiental e cursos de arborização urbana, com apoio de outras secretarias e da sociedade civil.

A administração municipal orienta que os interessados em contribuir para maior arborização da cidade procurem a secretaria para se inteirar das espécies adequadas para o plantio, bem como obter instruções técnicas, adquirir muda — uma por munícipe — e contratar trabalho regularizado e atualizado para a realização de podas em árvores, com a devida autorização.


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DÉFICIT DE ÁRVORES EM ARAÇATUBA'



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