Antonio Cesar Perri de Carvalho foi dirigente de instituições espíritas em Araçatuba, ex-presidente da USE-SP (União das Sociedades Espíritas) e da Federação Espírita Brasileira. Descreve esta Face Espírita para publicação na Folha da Região

Antonio Cesar Perri de Carvalho: Espiritismo, 160: Kardec, Benedita...

O dia 18 de abril assinala os 160 anos do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, por Allan Kardec, em Paris. Este livro é o registro de nascimento do Espiritismo, em 1857. Posteriormente, Kardec desdobrou-o em outros livros, que são conhecidos como a Codificação Espírita ou Obras Básicas do Espiritismo.

O ensino moral de Jesus é tratado como um dos princípios do Espiritismo, entendido como proposta para o aperfeiçoamento espiritual das pessoas. “O Livro dos Espíritos” deixa claro que "a verdadeira adoração é a do coração" e desenvolve questões sobre a benevolência, indulgência, perdão, ou seja, sobre a excelência da caridade.

Na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a primeira do mundo, fundada também no mês de abril, no ano de 1858, Kardec preocupava-se com estudos, difusão das ideias espíritas, coleta de observações, aproximação com outras sociedades unidas pelo laço moral e também com a atuação junto à comunidade. A prática refletia a teoria.

O Codificador atendeu à sugestão do Espírito Sanson, recebida em reunião no inverno de 1862: "Meus bons amigos, quando o frio chegou e tudo falta em casa dessa brava gente, porque não viria eu, vosso antigo condiscípulo, vos lembrar da palavra de ordem, a palavra caridade? Daí, tudo quanto pode dar o coração, em palavras, em consolo, em cuidados. - sede todo amor, todo caridade". Kardec realizou um trabalho em favor dos operários de Rouen e, ao mesmo tempo, elaborava o "Projeto de Comunidade Espírita".

A disseminação do Espiritismo foi rápida, inclusive no interior do Brasil. Sete décadas após o lançamento de “O Livro dos Espíritos”, Benedita Fernandes iniciava em Araçatuba um trabalho em favor de crianças e doentes mentais, de amor e caridade tal como orientou Sanson em trecho acima citado.

No trabalho institucional, Benedita concretizou sua homenagem a Kardec de maneira marcante, praticando o bem, dando o nome do Codificador a uma criança por ela amparada.
Na fase inicial de elaboração da primeira edição de nosso livro sobre Benedita Fernandes, no início dos anos 1980, entrevistamos Allan Kardec Marçal Costa, uma das primeiras crianças a ser criada por Benedita, esse baluarte da caridade.

Um contemporâneo dela, de Penápolis, assim se expressou sobre o menino: "Um dia, no asilo, vi dona Benedita chegar toda alegre, acompanhada de um menino negro, de olhos brilhantes e esbelto, sadio e ladino. Era o Allan Kardec, nome dado por sua "mãe" Benedita". Allan Kardec Marçal Costa, já desencarnado, teve uma vida simples e trabalhou como comerciário em Araçatuba. E, de vez em quando, comparecia às reuniões nas primeiras décadas da Instituição Nosso Lar, onde atuávamos.

Esses fatos – e muitos outros surpreendentes – constam de edição comemorativa do livro “Benedita Fernandes. A Dama da Caridade”, que lançaremos em Araçatuba no início de maio.