Antenor Rosalino é membro da Academia Araçatubense de Letras

Antenor Rosalino: E agora, Joseph?

Durante a realização de uma das mais famosas e tradicionais exposições agropecuárias do País, que reúne grandes pecuaristas até do exterior, um fazendeiro expositor, já dentro dos seus setenta e três anos de vida, estando à sós num determinado momento observando melhor o ambiente diversivo, visualizou uma linda jovem esbelta, de olhos esverdeados aparentando não mais que trinta anos de idade. 
 
A moça não estava acompanhada; usava calça jeans e blusa azul clara rendada, o que tornava ainda mais belo o seu corpo escultural e o balançar do seu andar calmo e extremamente sensual. Ao vê-la entrar numa lanchonete próxima onde pediu um refrigerante, o fazendeiro, encantado, aproximou-se da moça e foi logo se declarando:
 
— Boa tarde, sou Joseph. Posso saber seu nome? — Entreolharam-se por alguns segundos e, prontamente, a jovem respondeu:
 
— Joanita. Você é expositor? 
 
— Sim — arrematou Joseph. — Deram-se as mãos e prosseguiram a conversa com interrogações recíprocas.
 
Joseph, tal qual Joanita, não possuía educação apurada, mas o ancião demonstrava ser bem humorado. Era divorciado e deu a entender à jovem que era possuidor de muito dinheiro. Isso bastava. Era tudo o que Joanita sempre quis.
 
Marcaram novo encontro e iniciaram um namoro que, para ele, era arrebatador. Joanita, por sua vez, só se interessava por dinheiro. Os encontros foram se sucedendo e, quando ambos estavam juntos, Joanita não se preocupava em comportar-se como uma dama e tinha o hábito de lançar olhares maliciosos e interesseiros a qualquer rapaz que lhe despertasse alguma atenção.
 
Certo dia, Joanita apresentou sua melhor amiga ao fazendeiro. Os três passearam, conversaram animadamente, mas logo Joseph teve de deixá-las devido aos compromissos.
 
No dia seguinte, Joanita dirigiu-se a um banco com a mesma amiga. Coincidentemente, Joseph também foi ao mesmo banco e, a princípio nas as viu. As duas amigas desceram de um elevador e Joseph de outro. Ao reconhecê-las, Joseph apressou os passos para lhes dirigir a palavra, mas foi o tempo suficiente para que ouvisse a amiga dizer a Joanita:
 
— E você, amiga, vai conseguir ficar com aquele velho feio? — Joseph, decepcionado, deteve-se para não ser reconhecido e não lhe foi possível ouvir a resposta de Joanita.
 
Passaram-se os dias. Joseph nada comentou a respeito do episódio que o deixara profundamente magoado e os encontros continuaram apesar dos mais de quarenta anos de diferença de idade entre ambos.
 
Ao aproximar-se o fim da exposição, Joseph lembrou-se de que havia informado à Joanita que completaria setenta e quatro anos no último dia da exposição. O fim do evento estava chegando rápido e como a noite avançava e Joanita não o cumprimentava pelo aniversário, Joseph, entristecido perguntou à linda jovem:
 
— Joanita, você seria capaz de esquecer o dia do aniversário de quem você gosta? — A resposta de Joanita foi firme e tácita: 
 
— Absolutamente não, Joseph. - E continuou: — Quem esquece o dia mais importante da vida de quem diz gostar é porque não gosta mesmo. Eu nunca me esqueço, nem mesmo do aniversário do meu cachorrinho, aliás, hoje é aniversário dele.
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