Antenor Rosalino é membro da Academia Araçatubense de Letras

Antenor Rosalino: Carambola! Carambola!

Com olhar nostálgico, detive-me, por alguns instantes, defronte a um pequeno terreno, no centro da cidade, observando um pé de carambola com dezenas dessas frutas já amadurecidas, formando pêndulos que mais pareciam uma constelação, tendo em vista o formato dessas deliciosas frutas amarelas que se assemelham a estrelas.

Muitas foram as lembranças que me vieram à mente naquele momento. No meu tempo de criança essas frutas eram vistas facilmente e em abundância, assim como ocorria em tempos mais distantes, em relação aos araçazeiros que deram origem ao nome da cidade de Araçatuba, por serem vistos em grande quantidade por essas terras. O fruto do araçazeiro tem o nome de araçá que vem da língua Tupi e significa “planta que tem olhos”, em razão de suas pétalas que dão aparência de um olho no fruto.

A carambola, por sua vez, devido ao seu lindo formato é chamada de “star fruit” em inglês. É uma fruta exótica, mas seus benefícios para a saúde são reconhecidos, cientificamente, por conter diversas vitaminas, como aquelas dos tipos A e C e algumas do complexo B.

Entretanto, há informações de que universidades norte americanas e brasileiras, afirmam que a carambola contém uma neurotoxina que não existe nas outras frutas, e que essa toxina teria sido catalogada pela Universidade de São Paulo (USP) como caramboxina em uma pesquisa, que comprova os efeitos maléficos dessa toxina que pode afetar os nervos e também o cérebro, sendo, igualmente, perigosa para pessoas com problemas renais ou de diabetes, mas segundo a University Malaya Medical Centre essa toxina não afeta pessoas saudáveis, uma vez que o próprio organismo se encarrega de eliminar tais substanciais prejudiciais.

Não tenho qualquer registro de algum incidente ou que alguém tenha, sequer, passado mal por comer carambolas. Pode até ter ocorrido algum caso esporádico, mas nunca tive tal conhecimento.

Hoje, com certeza, pensaríamos bem antes de desejar colhermos carambolas, ou faríamos alguns exames médicos para saber se nosso organismo aceita o seu consumo.

Contudo, as lembranças são gratas de quando os dourados raios de sol flamejavam divisando as flores brancas e púrpuras das caramboleiras ornamentando os quintais e jardins.

O título que empreguei nesse texto remete a uma antiga marchinha carnavalesca intitulada “Touradas em Madri” interpretada pela imortal Carmem Miranda em que ela utiliza num determinado momento, a expressão: “caramba, caracolis”, e que eu e as demais crianças, em vez de caracolis, dizíamos “carambolas...” Que bom seria se a toxina dessa fruta fosse apenas “conversa mole para boi dormir”, cujo termo, grifado, a cantora diz também na própria música, com a graciosidade de sempre.

Que sorte eu e tantas outras crianças tivemos quando passávamos bastante tempo desfrutando do doce sabor dessas frutas, esbaldando-nos com as delícias dessas estrelas amarelas que cresciam no céu dos galhos das inúmeras árvores caramboleiras que havia no chão do nosso passado.