As cadelas Dixie, de 6 anos, e Be, 10 anos, passeiam pelo espaço na companhia do criador de ovinos Thiago Lot da Silva Nunes

Animais da raça australian shepherd se destacam entre ovelhas

Animais participam da Expô Araçatuba

Quem passa pelo pavilhão dos ovinos da Expô 2017 durante o período matinal pode encontrar duas figuras de quatro patas que se destacam entre os carneiros e ovelhas. Acostumadas a cuidar do manejo de rebanho da raça dorper, as cadelas Dixie, de 6 anos, e Be, 10 anos, passeiam pelo espaço na companhia do criador de ovinos Thiago Lot da Silva Nunes, morador de Araçatuba, com propriedade em Jales (SP). 

As duas são australian shepherds (pastores-australianos), uma das raças cujas características hereditárias colaboram para que os exemplares auxiliem na condução de outras espécies que andem em grupo, como ovinos, bovinos e até aves. Outra raça canina bastante comum na lida com ovelhas é o border collie, que tem um instinto que os faz arrebanhar os animais que pastoreiam, segundo o adestrador e criador de cães Rafael Rodrigues Jorge, também produtor de ovinos da raça suffolk, em Pirapozinho (SP). Desenvolvidos inicialmente na Grã-Bretanha, o cão se dá bem com carneiros e ovelhas por ter sido empregado no pastoreio desses animais desde sua origem.

A diferença do australian shepherd é que ele é um cão empurrador. "Ele faz o mesmo trabalho de manejo (que o border collie) só que na condição de empurrar rebanho", explica Jorge. Introduzido no País há cerca de 15 anos, a raça foi criada nos Estados Unidos - ao contrário do que o nome indica - e direcionada inicialmente para trabalhar com gado bovino. "Ele é um pouco mais invasivo, tem um instituto de trabalho diferente, mas também é muito bom com ovelhas", afirma o adestrador. Segundo Jorge, um cão bem treinado dá conta de trabalhar com até 800 ovelhas. 

O preparo dos cães começa quando eles dão sinais de amadurecimento, entre dez meses e um ano. "É diferente do treinamento de obediência, em que você suborna o cachorro com petiscos. O prêmio dos cães de manejo é trabalhar. É prazeroso para eles". Segundo Jorge, os caninos só vão cuidar bem do rebanho se vierem de uma linhagem com genética voltada para o trabalho e se forem treinados por um profissional qualificado. 

ENERGIA
Ele esclarece que se os cães dessas raças não forem direcionado para o manejo, eles ficam ansiosos e com energia acumulada. "Às vezes, a pessoa vê a gente trabalhando no campo e fala: 'tadinho, está correndo no sol', mas tadinho seria se ele ficasse trancado em casa."

O dono de Dixie e Be conta que os australian shepherds que não ajudam no manejo costumam destruir portas, quintais e jardins. "Como não vou todos os dias à propriedade, ando com elas por cinco quilômetros. É a primeira coisa que faço quando acordo. As duas já ficam me chamando", diz Nunes. 

De acordo com ele, as cadelas ficam tão animadas para ir à propriedade onde conduzem 80 ovinos que pulam na caçamba do veículo. Quando chegam ao local, já vão em direção aos animais e permanecem juntos a eles o dia inteiro. Nunes conta que os cães da raça são muito apegados ao humano. "Aonde eu vou, elas vão atrás. Se vou tomar banho, elas ficam me olhando pelo box. Se vou dormir, ficam me olhando na cama."

LINK CURTO: http://tinyurl.com/y8bya3yt