Andréa Bacalão é gerente-geral de shopping em Araçatub

Andréa Bacalão: Reflexão sobre o crescimento

Recentemente, a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) divulgou o balanço do setor em 2016 e a projeção para 2017, que prevê crescimento de 5%. O faturamento no ano passado foi de R$ 157,9 bilhões, crescimento de 4,3% em relação a 2015. Essas e outras informações divulgadas pela Abrasce ajudam a entender o sucesso da indústria de shoppings no Brasil. Tais números podem até impressionar por estarmos em um cenário de crise, pois, no final das contas, o setor está fechando no positivo e continua em expansão, gerando novos empreendimentos e emprego.

Um breve raio X do tamanho dessa indústria mostra sua importância para o desenvolvimento socioeconômico no país, uma vez que ela representa 19% do varejo nacional e 2,57% do PIB: são 558 shoppings em todo o território brasileiro e até dezembro mais 30 serão inaugurados, fechando o ano com 588. 

A Área Bruta Locável passa de 15 milhões de metros quadrados, distribuídos em quase cem mil lojas. Mais de 882 mil vagas para carros, 14.408 mil estabelecimentos de alimentação, 2.707 salas de cinema. Hoje, mais de um milhão de pessoas trabalha para fazer funcionar essa estrutura, que recebeu no ano passado 439 milhões de visitas por mês. É como se toda a população brasileira fosse ao shopping mais de duas vezes por mês.

Esse mercado, que completou 50 anos em 2016, teve o primeiro shopping inaugurado em São Paulo, capital, em 1966. O mundo já é outro, mas dados da última década dão uma ideia de como esse setor cresceu. De 2006 para cá, o número de shoppings cresceu 58,9%, o de lojas 77% e o movimento aumentou em 116,2%.

O que se tem notado nos últimos anos, fato comprovado por relatório da Abrasce realizado em parceria com o Grupo de Estudos Urbanos, é a transformação dos centros comerciais em núcleos de convivência. Pensar que shopping center é apenas um local para compras climatizado e agradável é limitar grosseiramente seu conceito atual: eles estão se tornando espaços muito complexos no oferecimento de serviços, lazer e cultura para todas as faixas etárias e tipos de família. 

A ideia é conseguir atender o máximo de necessidades possíveis dos consumidores nesse grande núcleo de convivência, e muitos já oferecem condomínios empresariais (69%), centros médicos e/ou laboratórios (29%), hotéis (38%), condomínios residenciais (23%) e até faculdades e universidades (18%).

São informações que mostram um setor comercial forte, consolidado e em expansão. Números que não existiriam sem o crescente movimento em shoppings nas cidades do interior dos estados. Dos 20 inaugurados em 2016, apenas sete são em capitais; e de seis anos para cá, 56 cidades estrearam o primeiro empreendimento do tipo. Isso se dá pelo desenvolvimento das cidades, que estão atraindo mais empresas, gerando mais emprego, renda e, consequentemente, poder de consumo. 

Para finalizar, as pessoas estão indo às compras já com uma quantia certa para gastar, o que não é ruim para o setor, pois mostra que o consumidor, mesmo com dinheiro contado, tem se planejado para consumir dentro dos shoppings.

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