AME Cirúrgico: Uma disputa preocupante

A disputa entre os três maiores municípios da região para implantação de um AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Cirúrgico reflete a falta de entendimento de suas principais lideranças políticas quanto a serviços que podem ter abrangência regional. Tanto se fala em regionalização, com políticos criando associações e até cargos comissionados em suas prefeituras para tratar de relações estratégicas com os 43 municípios. Porém, na prática, o individualismo prevalece. A impressão é de que as autoridades públicas estão preocupadas com quem vai ser o “pai da criança”.

Em fevereiro do ano passado, o Estado anunciou que o serviço funcionaria em Penápolis. Com a confirmação, o município até disponibilizou área para construção. No último sábado, ao reassumir a Prefeitura de Penápolis, Célio de Oliveira (PSDB) garantiu, em discurso de posse, que o ambulatório ficaria na cidade que governa. Essa briga começou porque, no final de fevereiro, os prefeitos Dilador Borges (Araçatuba) e Cristiano Salmeirão (Birigui) aproveitaram visita do governador Geraldo Alckmin (PSDB) à região para lhe entregar ofícios em que pediam o AME Cirúrgico para suas cidades.

Em Araçatuba, a mobilização é grande. Na Câmara, foi criada comissão de cinco vereadores a fim de pressionar o Estado a trazer o serviço para a cidade. O movimento busca unir forças com diferentes setores da sociedade, semelhante à luta pelo primeiro curso de medicina, que funcionará no Unisalesiano (Centro Universitário Salesiano Auxilium).

Seria interessante que os gestores públicos pensassem em buscar condições para que, quando o ambulatório estiver em atividade, atenda, da melhor forma possível, toda a região. 
Para o Estado, a localização em Penápolis é favorável pelo fato de a cidade estar no entroncamento das rodovias Assis Chateaubriand e Marechal Rondon. E mais: a ideia seria desafogar o atendimento existente hoje em São José do Rio Preto, onde a fila de espera por procedimentos cirúrgicos chega a dois anos.

Mas seria esse argumento, de fato, aceitável?

A experiência tem mostrado o quão desafiador é manter um AME não cirúrgico, modalidade existente em Araçatuba, Andradina e Promissão. Recente estudo divulgado pelo TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) mostrou que, apesar de essas unidades serem chamadas de Ambulatório Médico de Especialidades, faltam médicos especialistas, o que é uma ironia.

Fica, assim, a expectativa para que a batalha das prefeituras dê lugar a uma união de forças entre as cidades para o AME Cirúrgico vir, sim, atender a população de uma região que sofre, sistematicamente, com a precarização dos serviços de saúde. E que isso possa ser feito de forma rápida e com o menor custo possível.