Alberto Alves Marques é professor coordenador da área de Ciências Humanas e Suas Tecnologias e professor de história da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo

Alberto Alves Marques: O Enem e a pontualidade

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2017, aplicado no último dia 5, novamente, conviveu com alguns candidatos chegando atrasados. Isso evidencia alguns vícios cometidos na escola que não podem ser repetidos para além dela, o atraso. É inadmissível e incompreensível: como um indivíduo chega atrasado para um compromisso que já foi divulgado com um tempo de antecedência? É óbvio que algumas implicações externas, como o trânsito, são elementos dificultadores na pontualidade dos candidatos.
 
No entanto, cabe ao planejamento e logística dos mesmos, ou seja, sair para a realização da prova com tempo hábil, para, assim, evitar contratempos. Dessa forma, só nos resta acreditar que um dos elementos que contribuíram para o atraso é a comodidade de boa parte dos nossos jovens, muitos desses nossos ex-alunos. 
 
Durante toda a vida escolar na educação básica, esses estudantes (hoje, muitos candidatos do Enem), chegaram atrasados às escolas e com as justificativas, perdi a hora; quantos alunos não cumpriram o seu papel de estudante, entregando trabalhos e atividades atrasadas, tendo a concepção que “não dá nada não”. Agora deu. Sem generalizar, boa parte dos candidatos que chegaram atrasados ao Enem/2017 tem o perfil de aluno que não demonstrara compromisso durante a educação básica, chegando e entregando trabalhos atrasados. Grosso modo, uma das diretrizes da educação básica é preparar os estudantes para a cidadania, prosseguimento nos estudos e o mundo do trabalho. 
 
O Enem é uma oportunidade de os ex-estudantes adentrarem em uma faculdade ou universidade utilizando, para isso, uma bolsa de estudo ofertada pela nota que eles tirarem no exame, principalmente na redação. Dessa forma, a falta de pontualidade durante a educação básica na entrega de trabalhos e estudos, sobretudo, chegando atrasados e sempre com justificativas medíocres. Aliás, perdi a hora, não é um argumento válido para o Enem. Lembra-se quando o professor discorria que a escola tolera tudo, mas lá fora é uma outra história? 
 
Considerações finais: então, as oportunidades da nossa vida começam com o nascimento, só que existem alguns momentos em que o cumprimento das responsabilidades pode pesar muito, como chegar atrasado para a prova do Enem. 
 
Infelizmente, a maioria (ou minoria, não conheço todas) das escolas tolera muita coisa em nome da formação do caráter e da responsabilidade dos estudantes, porquanto, o Enem, um exame que selecionará os melhores, não. Voltando às diretrizes da educação básica, os candidatos que chegaram atrasados ao Enem terão que adiar o prosseguimento nos seus estudos, quiçá, o preparo para o mundo do trabalho. 
 
E aí, geração (é óbvio a minoria!!!), não está na hora de valorizar mais a educação básica?
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