Alberto Alves Marques é professor coordenador da área de Ciências Humanas e Suas Tecnologias e professor de história da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo

Alberto Alves Marques: Informação e pobreza do conhecimento escolar

Diga-se de passagem, a sociedade da informação é uma denominação atribuída ao mundo digital em todas as suas dimensões, principalmente, inclusa nesta categoria a Internet, um dos adventos revolucionários da história da humanidade na contemporaneidade. Nunca se desfrutou de tamanha informação como nesta sociedade, informação esta que por meio de um provedor e fibras ópticas, circula nos quatro cantos do planeta com apenas um “clic” do mouse. 

A título de ilustração, no ano de 2004, o Google indexou mais de seis bilhões de itens na web, transpondo para uma humanidade no Planeta que, igualmente, girava em torno de seis bilhões de habitantes. Mediante a esse fato, considera-se aproximadamente uma informação por pessoa no planeta naquela época. À luz da reflexão, nos dias atuais as informações veiculadas na Web pelo Google e outros sites triplicaram, enquanto a humanidade não ultrapassou a casa de oito bilhões de habitantes. 

Em contrapartida, nunca se presenciou uma desmedida pobreza do conhecimento escolar, acarretando ao País amargar as últimas posições no quesito educação de qualidade. Para tanto, basta analisar os indicadores internos e externos, em que o Brasil se encontra aquém de uma educação formal de qualidade, levando show de países com o PIB (Produto Interno Bruto) inferior ao daqui. 

Segundo o estudioso francês Pierre Lévy, vivencia-se um novo Dilúvio (uma analogia ao Dilúvio durante a história bíblica de Noé) de informações. Esse mesmo autor faz uma reflexão sociológica: diante desse dilúvio de informações, o que colocar dentro da ARCA (transformação do conhecimento)? Infelizmente, percebe-se que boa parte da população confunde informação com conhecimento, ou seja, basta acessar um site e o conhecimento ocorre ou transpõe para a mente das pessoas de forma automática.

Partindo desse pressuposto, esse é o paradoxo da sociedade da informação, uma avalanche de informações e uma pobreza de conhecimento, sobretudo, no contexto escolar. Considerações finais: afinal, como transformar informação em conhecimento escolar, para direcionar o país a alcançar uma educação de qualidade e figurar entre as nações com indicadores significativos neste quesito? Na verdade, não há fórmulas prontas para transformar informação em conhecimento escolar de qualidade, porém algumas dicas são fundamentais para essa ação. 

A priori, é essencial analisar a entrada de dados (procedência); processá-la (selecionar e sistematizar a informação); armazená-la (guardar o útil e descartar o inútil) e por fim, oportunizar a saída do conhecimento, ou seja, utilizá-la em prol de um problema real. Frente a essa linha de raciocínio, qual o ser humano no ambiente escolar ou fora dele consegue essa proeza? Uma minoria?