Alberto Alves Marques é professor coordenador da área de Ciências Humanas e Suas Tecnologias e professor de história da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo

Alberto Alves Marques: Agressões a professores

Diga-se de passagem, nos últimos dias, foi veiculada em diversas mídias a imagem de uma professora sendo agredida (espancada) por um “suposto” aluno, causando, mais uma vez, perplexidade e comoção nacional. Outrossim, uma vergonha global, visto que a escola é um lugar em que harmonia, valores, princípios, diálogo e produção do conhecimento antecedem qualquer ação dessa “imbecibilidade”. 
 
Na verdade, um ato covarde, esdrúxulo, não bárbaro, pois os bárbaros nos primórdios da humanidade davam a chance de defesa para os seus inimigos. À luz da reflexão, que chance de defesa este aluno oportunizou para a professora, antes de agredi-la? O pior, quem colocou na cabeça do indivíduo que ele pode e/ou tem o direito de sair por aí agredindo pessoas?
 
Para alguns especialistas e governos que só conhecem o chão da sala de aula pela mídia, pode-se tratar de um fato isolado, porém não é a realidade, porque muitos educadores, por medo de represálias, calam-se diante das múltiplas violências. O que estamos presenciando não são fatos isolados, e sim, um isolamento da categoria professor, seja por políticos, por uma maioria de alunos e por boa parte da sociedade.
 
É difícil conceber, como alguns especialistas conseguem teorias mirabolantes e as divulgam expressando que essa geração Z é singular e que devem ser tratados diferentes. Concordo plenamente que uma parcela dos jovens de hoje, considerados nativos digitais ou geração Z, está na escola produzindo novos conhecimentos, desenvolvendo tecnologias entre outras ações próprias de um ambiente educacional; promovendo, assim, o diálogo permanente com os seus mestres pelo respeito mútuo. Porém, casos de violência praticados contra professores, ou melhor, contra qualquer pessoa, deveriam sair do isolamento e serem tratados por outras instituições, pois ações dessa natureza são caracterizada como crime. Enquanto não se diferenciar caso isolado, indisciplina, violência de crime, e tomar as providências cabíveis, as nossas escolas, o País e os educadores estarão fadados ao fracasso. 
 
A maior perplexidade é que alguns teóricos desavisados saem em defesa desses delinquentes e proferem o seguinte: “essa geração precisa extravasar a sua revolta causada pelo entorno no qual ele está inserido?” Ingenuidade pura de quem, talvez, não conheça o que está acontecendo em solo nacional na política e na sociedade. 
 
Considerações finais: estamos passando por corrupções de cunho político (Operação Lava Jato), na sociedade (13 milhões de desempregados) e na economia (o nosso dinheiro sendo corroído pelo aumento dos preços da gasolina, pedágios, entre outros). Tudo isso porque, em Brasília, estão os piores inimigos do povo, os políticos. Agora, pasmem... querem leiloar a Amazônia!!! Então, quem são os inimigos do povo??? Esses sujeitos, sim, seriam os inimigos do povo, não os professores. A título de ilustração, esses jovens delinquentes que batem em professores, a bem da verdade, já se encontram surrados pelos políticos, deveriam ir para Brasília e fazer jus ao discurso dos teóricos que justificam tais ações: “Essa geração precisa extravasar a sua revolta causada pelo entorno na qual ele está inserido". 
 
Por que não fazem isso? Por que não ficam revoltados com a podridão da política? É simples, todo covarde sabe com quem mexe. É cômodo chutar aquele que está no chão há décadas, desvalorizado pelos políticos e, em muitos casos, encurralado pela sociedade!!! Só queremos fazer aquilo que sabemos fazer, ou seja, ministrar aulas. Um país que bate em professor e desvaloriza os seus mestres, sofrerá uma implosão sem precedentes. Acorda, Brasil!
LINK CURTO: http://folha.fr/1.360102

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