Alberto Alves Marques é professor coordenador da área de Ciências Humanas e Suas Tecnologias e professor de história da Secretaria Estadual da Educação do Estado de São Paulo

Alberto Alves Marques: A lista de Fachin

Primeiramente, a lista do Ministro do Supremo Tribunal Federal e Relator da Operação Lava Jato, Edson Fachin, envolvendo políticos de grande escalão na política brasileira é uma vergonha nacional, em outras palavras, a deterioração da política. Notavelmente, a corrupção alastrou-se pelo cenário político em nosso país paralisando todo o desenvolvimento político, econômico, social e cultural. 

Na citada lista apareceu nome de políticos, a bem da verdade, passava a imagem de bons representantes da população, melhor dizendo, representantes que faziam com que acreditássemos na existência de políticos honestos. Todavia, boa parte desses corruptos é formada por pessoas que depositamos a nossa confiança para nos representar, a título de ilustração: ex-presidentes, governadores de Estados, deputados, senadores, entre outros políticos que estão no poder pela validação do nosso voto. 

Diante dessa situação, como discorrer nas escolas, na sociedade, com os filhos ou nas rodas de conversas sobre a importância da política, de outro modo, como convencer aqueles que não são politizados, que a política ainda compensa?

Obviamente, o que nos causa mais indignação é que, além de usurpar o dinheiro do povo pago com impostos, temos que conviver com a falta de investimentos em educação, saúde e segurança pública. Sabe por quê? É simples, pois, esses políticos que estufam o peito nas campanhas e propagandas políticas dizendo que o povo ficará em primeiro lugar, não precisam de escolas, hospitais e segurança pública, os mesmos só necessitam do dinheiro público (nossos impostos), para que os seus familiares e compadres usufruam das regalias em solo nacional e internacional. À luz da reflexão, na Lista de Fachin, estão também aqueles políticos que votaram na Reforma da Previdência, uma ação que fará com que os trabalhadores (pagadores de impostos) aposentem quase no leito de morte.
 
Considerações finais: triste processo histórico do Brasil, sobretudo, quando a usurpação do erário público é uma constante na história do país. Durante a colonização o usurpador da coisa pública era externo, ou seja, os portugueses. Com o advento da Independência, a família real se responsabilizou de retirar a riqueza da nação. Findando o Império e iniciando a República, os fazendeiros e coronéis se encarregaram de apropriar da riqueza do país e do povo. Com o surgimento da Ditadura Militar, um dos momentos mais sombrios da nossa história, novamente, os políticos apoderaram do dinheiro público. 

Descontentes e cansados do autoritarismo, o povo lutou e muitos morreram para que o nosso país tornasse uma nação democrática, oportunizando a escolha dos nossos representantes. Infelizmente, ainda não foi o momento de uma ruptura em todo processo de usurpação do povo. Quando isso ocorrerá? Não se tem uma fórmula pronta, porém, teremos no ano de 2018 eleições para presidente da República, governador, senadores e deputados. Será que lembraremos dos políticos da Lista de Fachin?