Amanda Martinelli é formada pela FEA, atua em escolas e tem pós em neuropsicologia

Acolhimento da família é ferramenta fundamental no combate ao câncer

No dia mundial de combate à doença, psicóloga diz que atitude melhora autoestima do paciente

Dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer) mostram que pelo menos 1,2 milhão casos devem surgir no País até o ano que vem. A maioria deles, segundo o estudo, está relacionado ao estilo de vida, como tabagismo, alimentação e sedentarismo. Mas, como lidar com o paciente, quando ele for diagnosticado com a doença? 
 
Para a psicóloga Amanda Martinelli Vitro, o acolhimento da família representa uma das principais formas de tratamento. Amanda é psicóloga em Araçatuba. Formada pela FEA (Fundação Educacional de Araçatuba), tem experiência na área de psicologia em escolas. Também é pós-graduada em neuropsicologia. Este domingo é o Dia Mundial de Combate ao Câncer.
 
Quais são as fases de sentimentos que uma pessoa, ao receber o diagnóstico de câncer, pode passar?
Quando uma pessoa recebe um diagnóstico de câncer, ela tem a sensação que perdeu a vida, pois o câncer e a morte praticamente vêm como sinônimos. Podemos dizer que a pessoa passará pelo mesmo sentimento de luto: negação, raiva ou revolta, troca ou barganha, depressão e aceitação.
 
Na questão psicológica, o que o paciente com câncer mais precisa?
Nesse momento, o paciente irá precisar de acolhimento, não adianta dizer frases como: “Você vai sair dessa”, “Ficará curado”, entre outras. O paciente quer ser entendido, precisa saber que é amado e terá pessoas ao seu lado para ajudá-lo em uma jornada que é totalmente desconhecida e cheia de temores.
 
Em que momento o acolhimento psicológico deve começar?
No momento imediato à notícia, ou seja, com certeza o paciente terá o mundo abrindo aos seus pés, a sensação de finitude e crenças irracionais que só o levará a sentir o medo da morte e precisará ser auxiliado.
 
Como deve ser a abordagem?
A abordagem é mediante empatia pelo paciente, sempre tentar se colocar no lugar dele, ter respostas assertivas para as perguntas que virão do mesmo.
 
Como a família pode ajudar quando o paciente não quer ser ajudado?
Quando se está envolvido com o paciente, teremos muito mais chances de fazer com que o mesmo aceite o tratamento, pois terá mais motivos para viver. Nunca ignorar sua tristeza e dores, envolvê-lo nas decisões, mostrar que o câncer hoje em dia pode sim ser tratado e curado. E mais um conselho: AME, AME sem limite.
 
Sabemos que a doença envolve vários fatores, mas como se deve equilibrar o psicológico de uma família onde há uma pessoa com câncer?
Sabemos que, quando um ente adoece, a família adoece junto, os mesmos precisarão ser acompanhados tanto na dor que terão de perder como nas mudanças que também farão em suas rotinas, mas, principalmente, no entendimento correto sobre como proceder nessa caminhada que pode, sim, ter sucesso.
 
Quando a “corda arrebenta” e tanto a família quanto o paciente já não têm mais forças para se ajudarem, o que fazer?
Sempre se deve pedir ajuda. Mesmo no início, justamente para que a “corda não arrebente”, um psicólogo acompanhando a família é de muita valia. Muitos hospitais, hoje em dia, já oferecem esse acompanhamento. Um paciente com câncer precisa de uma equipe multidisciplinar para acompanhar o caso tanto fisicamente quanto emocionalmente. 
 
As pessoas já estão conscientes de hábitos saudáveis capazes de evitar o câncer?
Não como deveria, mesmo com todas as campanhas, com a mídia alertando, há muitas pessoas na ignorância por vários motivos. Destaco principalmente o sócio-econômico cultural.
 
A partir de que idade, é necessário redobrar a atenção aos riscos da doença?
Não há idade, o câncer também acontece por fatores genéticos e hereditários. Ele pode acontecer em qualquer idade.
 
Hoje, pode-se dizer que as chances de cura são maiores do que há 20 anos, por exemplo?
Sim, a medicina oferece vários tratamentos e muito eficazes. O câncer pode, sim, ser eliminado com um tratamento correto , é importante não desistir.
 
Em se tratando de Brasil, quais as principais limitações no tratamento da doença?
A precariedade da saúde federal, na distribuição de renda para custear o tratamento.
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