A velha política das ameaças

Quem pratica esses atos não está preocupado com as consequências à sociedade

Casos de ameaças de morte ou agressões físicas entre políticos decorrem da forma como a atividade política é conduzida no Brasil. As regalias, o volume de dinheiro que envolve e a oportunidade de obter benefícios dos mais variados criam um clima de disputa pelo poder que, em comum, tem o fisiologismo. 

Em Araçatuba, o prefeito Dilador Borges (PSDB) recebeu ameaças de morte pelo Whatsapp e chegou a registrar boletim de ocorrência na semana passada. Neófito à frente de uma administração municipal, o tucano não é, no entanto, o primeiro a receber esse tipo de recado.

Reportagem publicada pela Folha da Região no último domingo relembrou casos recentes registrados em Araçatuba e em municípios vizinhos, em que o uso da força prevaleceu a fim de calar políticos que contrariam interesses de pequenos grupos ou opositores de quem está no poder. Estes são casos clássicos e, segundo historiadores, remontam a um tempo em que o autoritarismo aliado a práticas coronelísticas predominava na política brasileira.

A própria história da vida pública nacional não seria a mesma se não fosse um crime envolvendo um líder político. Foi o famoso atentado na rua Tonelero, no Rio de Janeiro, em agosto de 1954, com o objetivo de matar o jornalista e político Carlos Lacerda, o marco da derrocada do governo do presidente Getúlio Vargas, que se suicidou dias depois.

Sendo assim, quem pratica esses atos não está preocupado com as consequências geradas à sociedade, dentre as quais a instabilidade política, tão nociva para a boa prestação de serviços públicos, é a pior de todas. Além, é claro, de inibir novas lideranças a lutar por uma sociedade mais justa, uma vez que, se “não dançar conforme a música”, estará sujeito a levar bala.

As ameaças à classe política nos dias atuais, e, geral, caracterizam-se pelos ataques virtuais, ou seja, valem-se de ferramentas disponiblizadas por recursos tecnológicos e das mídias sociais.

De fato, se a quantidade de benesses a quem exerce mandato eletivo fosse menor, o clima de disputa, a ponto de se colocar vidas em risco, seria mais brando. Porém, se tolerância e diálogo fossem características mais presentes nos parlamentos e ambientes palacianos, grupos adversários não precisariam digladiar entre si, chegando aos extremos.

A violência política diminuirá, portanto, a partir do momento em que o exercício de uma função pública deixar de ser interessante para oportunistas, velhas oligarquias acostumadas ao poder e, claro, bandidos profissionais, que encontraram, nesse campo, um solo fértil para o enriquecimento ilícito.

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