Com 57 anos de profissão, José Pistore e o colega João Sena, ambos colegas de trabalho e experientes barbeiros

A tradição das barbearias

Kalu Barbearia acompanhou o desejo dos homens em seus cuidados estéticos, sem perder a tradição dos antigos espaços masculinos

As barbearias eram referências nos cortes de cabelos e barbas masculinos até meados de 1970. Entre 1980 e a primeira década dos anos 2000, os salões de cabeleireiro ganharam maior destaque e a preferência dos profissionais na hora de serem lembrados. Nos últimos anos, a tendência das barbearias voltou e ganhou maior destaque.


Quem sempre se adaptou e seguiu essas mudanças foram os profissionais do Kalu Barbearia, uma das mais renomadas e conhecidas barbearias e salões de Araçatuba. Fundado pelo barbeiro José Pistore, nos anos de 1960, a barbearia se moderniza a cada ano com as novidades e tendências que os homens aderem.


Além do trivial cabelo e barba, o espaço oferece tratamentos estéticos, cuidados com a coloração, estética corporal, massagens relaxantes, limpeza de pele, e depilação. Além disso, atendimento com podóloga e massagem fisioterápica também estão disponíveis.


José Roberto Pistore, filho do fundador e barbeiro há 39 anos revela que os avanços se deram naturalmente, acompanhando o desejo dos clientes. "Quando as barbearias caíram de moda, nós estilizamos o salão para cabeleireiro e agora, com o retorno das barbearias, trouxemos esse conceito novamente", revela Roberto Pistore, que diz que o espaço sempre manteve a ideia de conforto e bem-estar aos clientes.


"Começamos masculino, depois abrimos o espaço feminino, sendo o primeiro salão de Araçatuba que trouxe o conceito de dois ambientes", relembra Pistore.


Além do fundador José Roberto, seu filho Roberto, outros barbeiros que atendem no espaço são João Sena (35 anos de atuação), Vaniah Assuitti (17 anos de atuação), Aline Sarto Yamamoto (15 anos de atuação), Grazi Monteiro (sete anos de atuação), Mayra Cavalcanti (três anos de atuação) e Patrícia (dois anos de atuação). Os cabeleireiros Chiquito (32 anos de atuação), Weslei (14 anos de atuação) e Janaina Moura (10 anos de atuação) também realizam cortes no espaço masculino.


Já Selma Panzarini Pistore, empresária e gestora responsável pelo espaço explica que desde o início da fundação da barbearia por seu sogro, os homens que lá frequentavam já tinham cuidados além do básico. "No Kalu, as pessoas fazem unha desde o início. Foi o primeiro salão a usar toalha quente para fazer barba, desde 1960. Essa técnica é tradição por aqui", relembra, enfatizando que eles têm "um trabalho bem diferenciado para o homem".


Ela detalha que alguns cuidados mais específicos acabam sendo desejo das esposas para mudarem os maridos. "Às vezes, as mulheres que marcam para os homens", explica Selma. Na barbearia, os profissionais são visagistas, ou seja, conseguem captar não só o melhor corte de cabelo e barba para o cliente, alinhado ao seu estilo de roupa ou comportamento.


MUDANÇA DE VISUAL
Na esteira das mudanças de visual, os homens cada vez mais apostam em estilos diferentes. A barbeira Vaniah Assuitti, que começou na escola Kalu, passou sete anos trabalhando na área na Europa, e retornou há quatro anos, explica que "o homem tem um pouco de medo da sociedade, se as pessoas vão notar ou se o corte vai ficar legal, se a esposa vai gostar".


Segundo Vaniah, os mais novos veem os cortes na TV, nas séries e pedem o tipo de corte. "Eles não tem tanto medo, mas querem que esteja dentro do que a sociedade aprova", contemporiza.


Já para Aline Sarto Yamamoto, que está há 15 anos como barbeira, "muitas vezes o homem vêm para mudar junto com a mulher, porque ela quer mudar e não ele. Eu já atendi cliente que a mulher marca o reflexo mesmo sem ele desejar, só para fazer o gosto dela". A mudança, na maioria das vezes, cai no gosto dos clientes, fazendo-os se adaptarem ao novo estilo. Aline enfatiza que a resistência na mudança de visual é sempre do público de mais idade. "Os mais novos se permitem mais", contemporiza.


Selma vê a mudança como algo que acontece no decorrer dos anos, não só com pedidos familiares, como também no incentivo dos profissionais. "O homem, às vezes, tem aquela resistência de que os amigos podem tirar sarro, mas isso diminuiu muito", explica.


Roberto conta que os clientes sentem segurança em apostar numa mudança quando "percebe que o profissional é atualizado e tem conhecimento" daquilo que lhe é proposto ou sugerido. Segundo os profissionais, os estilos que mais estão em alta são modelos antigos, usados entre as décadas de 1940 e 1950. O short fringe, fade, razor part, e Low fade são alguns dos estilos que ganham as ruas.

 

HOMENS OPTAM POR TÉCNICAS QUE MINIMIZAM OS FIOS BRANCOS

Para os homens que gostam de destacar ou minimizar os cabelos brancos, ou aqueles que têm um cuidado especial na cor dos fios, os profissionais do Kalu desenvolveram uma técnica de cuidado especial para não deixá-los amarelados. "O grande medo dos homens é que o cabelo amarele", explica Vaniah.


"A coloração não é tão usada na parte masculina. O que nós usamos aqui são os tonalizastes, que são para os primeiros fios de cabelo branco, que da um efeito mais natural, para não ter aquele efeito de impacto", explica Aline.


Vaniah explica que os reflexos invertidos são uma técnica mais natural, que ainda permite alguns fios brancos, "mas que não se aparenta tanto". Para que o erro de tonalidade não deixe o cabelo com aspecto avermelhado, no caso de coloração, o indicado pelos profissionais é uma avaliação precisa especializada com o barbeiro e o uso de bons produtos.


ANÁLISE
A indicação de produtos ocorre "de acordo com o cabelo, com o profissional que orienta. O diagnóstico é feito antes, de acordo com o que o cliente quer e nós aconselhamos", explica Vaniah. As técnicas que envolvem algum tipo de produto de coloração são recomendadas para qualquer tipo de cabelo e só é contraindicado em casos de alergia.


"A quantidade de fios que será tratada é feita de maneira precisa para harmonizar o procedimento. É um trabalho artesanal. Às vezes eles fazem fio a fio", revela Selma, que acompanha de perto o andamento da barbearia.


Essa análise, segundo Roberto Pistore, acontece quando o "profissional corta o cabelo. Geralmente, os homens vêm apenas para cortar e não agendam para tonalizar ou fazer reflexo. Aí, você conversando com o cliente, vai tendo ideia do que ele deseja". Na visão do profissional, são raros os que desejam esconder os fios brancos por completo.


INÍCIO
Selma conta que alguns homens que vão realizar a coloração "geralmente começam em casa, com a própria esposa utilizando os produtos dela. Então eles chegam aqui com o cabelo colorido, avermelhado", o que não é recomendado, pois, o cabelo feminino exige outros cuidados.


MANUTENÇÃO
Os que optam pela mudança com coloração, a manutenção é prática. "É muito prático. Tem produtos que ajudam o cabelo branco a ficar mais bonito", explica Selma. Já Aline explica que além dos produtos para tratamento em casa, a linha de produtos de barbearia também auxilia aqueles que dispõem de tempo.
Roberto explica que os cuidados são obrigatórios para não acarretar em problemas e uma má aparência. Esse desgaste geralmente acontece por excesso de uso em piscinas, causando a oxidação.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.399702