A tensão e dois sinais de alerta

Agilidade dos serviços de urgência na área da saúde preocupa

O assustador episódio ocorrido no bairro Água Branca, em Araçatuba, na última quinta-feira (14), quando um menino de 12 anos teve vários ferimentos após ser arrastado por um cavalo traz, ao menos, duas preocupações. Uma é o risco de animais soltos nas vias públicas, apesar de, no caso em questão, o proprietário do animal negar que o cavalo assim estava. 

A outra, mais uma vez, é a agilidade dos serviços de urgência na área da saúde. Testemunhas relataram demora no socorro, que havia sido solicitado ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Depois de aproximadamente 40 minutos de espera, uma equipe do Corpo de Bombeiros se encarregou de fazer o encaminhamento do garoto à Santa Casa.

São, portanto, dois problemas para os quais a administração pública precisa ficar atenta. Há muito tempo, os bairros mais distantes do Centro reclamam de bichos de grande porte, como vacas e cavalos, soltos em ruas e avenidas. A situação acompanha o estado de abandono em que se encontram muitas dessas localidades, onde a infraestrutura precária e a existência de terrenos baldios são fatores recorrentes.

Esse cenário é altamente perigoso, pois pode ocasionar acidentes, como atropelamentos, e momentos de agitação dos animais, a exemplo do que aconteceu no Água Branca. Daí, não só a sensação de insegurança, como medo também. Conforme relatos de quem testemunhou os momentos de tensão do adolescente na última quinta, o cavalo corria por ruas da localidade, sendo parado somente em um campo.

Em relação ao atendimento do Samu, enquanto o município tenta reestruturar suas ambulâncias, já várias vezes flagradas pela Folha da Região em condições precárias, cenas como a observada no final da semana passada se repetem. Em sua edição de 6 de setembro, por exemplo, este jornal noticiou que uma mulher levou uma hora para ser socorrida após sofrer acidente de moto na avenida Waldir Felizola de Moraes. Como no episódio ocorrido no Água Branca, ela foi atendida por bombeiros, que têm atuado em parceria com o Serviço de Atendimento Móvel. Mesmo assim, percebe-se que as falhas persistem, pois as queixas quanto à demora continuam. 

A duplicidade de deficiências de serviços (no caso, o combate ao abandono de animais e a morosidade do Samu) mostra que, se na administração pública não houver uma preocupação com o aprimoramento de questões essenciais para manutenção da segurança, saúde e qualidade de vida, novos acidentes de grandes proporções, colocando pessoas em risco, serão registrados.

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