A saga do transporte coletivo

Serviço, há muito, é uma pedra nos sapatos dos administradores do município

Deserta. Assim estava a licitação que, com muito custo, foi realizada na última terça-feira, em Araçatuba, para contratar empresa de transporte coletivo. O início da saga se deu em julho do ano passado, quando o edital foi publicado, mas suspenso pelo TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) para que ajustes fossem feitos. Mesmo com as mudanças, nenhuma empresa apareceu para o certame.

O transporte coletivo, há muito, é uma pedra nos sapatos dos administradores do município. A população, com motivos, reclama dos serviços prestados, das condições dos veículos, de atrasos constantes e do preço da passagem que sobe, ainda que a qualidade do conjunto não seja satisfatória. Ou seja, o usuário paga mais, mas não vê retorno.

A TUA (Transportes Urbanos Araçatuba) atua no município desde 1995 e vem tendo seu contrato renovado emergencialmente, aumentando, ainda mais, a insatisfação dos usuários que já viram acidentes diversos. Agora, com a deserção da licitação, serão feitas readequações no edital para que empresas sintam-se atraídas a tomarem o serviço de transporte coletivo, dando aos usuários mais dignidade.

Alguns pontos são importantes e devem ser considerados: se uma laei nacional prevê que idoso tem direito a transporte gratuito a partir dos 65 anos, há necessidade de baixar essa idade para 60, como se fez em lei municipal? É imprescindível que os ônibus tenham internet sem fio ou isso só está sendo exigido por ter sido promessa de campanha? 

Por outro lado, colocar a disposição dos usuários ônibus novos, com ar condicionado — aqui na região não é mais artigo de luxo —, que ofereçam mais segurança e melhores condições a todos, com funcionários preparados para lidar com o público, mantendo a dignidade daqueles que necessitam deste sistema, devem ser consideradas. Oferecer prazo para que a empresa se adeque, de maneira escalonada, também pode ser uma forma de atrair participantes.

Para tirar essa “pedra do sapato” é preciso ousadia, destreza e muita inteligência no sentido de que há empecilhos a serem driblados e isso só será possível usando de bom senso. Em benefício da população, talvez seja preciso que o município abra mão de determinados benefícios próprios e medidas que visam à popularidade. 

É preciso analisar que o transporte coletivo eficiente é uma realidade e quanto melhor ele funcionar, melhores as condições de tráfego pelas ruas da cidade. Seria uma maneira de desafogar o trânsito, que começa a dar sinais de não mais comportar veículos nas ruas, seja por falta de condições das vias, seja por um aumento muito grande do número de veículos transitando. Menos veículos nas ruas significam a redução do número de acidentes que, no início de 2017, faziam quatro vítimas por dia.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.383563

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