A obra 'Como se fosse dinheiro', de Ruth Rocha, foi o livro que mais encantou Evelyn

A menina que 'devora' livros

Aos 9 anos, estudante leu 74 títulos em nove meses

Com apenas 9 anos, Evelyn Hara Takahama Caciano é uma recordista em leitura. Devido a um projeto de leitura do Colégio Nossa Senhora Aparecida, do qual é aluna, a menina leu, em nove meses, 74 títulos literários. Dentre eles, clássicos internacionais de autores como Hans Christian Andersen e Irmãos Grimm e dos brasileiros como Ruth Rocha, Ziraldo e Pedro Bandeira.

O “Projeto Centopeia”, que incentiva os alunos do 3º ano do ensino fundamental a terem estímulo para ler, levou Evelyn a ser a vencedora em todos os aspectos. Sempre sorridente, com linguajar extremamente evoluído para os padrões da idade e uma vontade por ler constante, a pequena leitora enumera cada uma das histórias que leu com o mesmo entusiasmo que inicia um novo livro.

A obra “Como se fosse dinheiro”, de Ruth Rocha, foi o livro que mais encantou Evelyn, não só por ser fã da escritora paulistana, mas também pelo enredo atraente apresentado na obra. Para ela, os livros da autora têm algo especial e são de fácil leitura. “Gostei porque me identifico com a autora e a história é muito boa”, explica, antes de destacar outro título de Ruth, “A Máquina Maluca”, que também fez parte de suas leituras.

Outras obras que fizeram parte da leitura de Evelyn foram “Meu Pé de Laranja-Lima”, de José Mauro de Vasconcelos, “Diário de Julieta”, de Ziraldo, “Mistério da Fábrica de Livros” e “O Primeiro Amor de Laurinha”, ambos de Pedro Bandeira. 

Os 74 livros contabilizados são os que integraram o período de realização do projeto até setembro deste ano. Após isso, a pequena continuou sua voracidade pela leitura, dando sequência ao ritmo de apreciação dos livros. Os próximos exemplares que Evelyn quer ler são os títulos infantis de Míriam Leitão e Manuel de Barros.

Para a mãe, Evelyn Sanae Hara Takahama, a leitura constante da filha “aprimorou escrita, fala e outros sentidos”. “Incentivamos constantemente a leitura para ela comprando e indicando livros. Minha filha mais velha empresta várias coleções pessoais para Evelyn”, explica a mãe, que também destaca primos e tias como apoiadores do engajamento da menina pelas letras.

Para a estudante, sua dedicação aos livros é importante, pois “envolve muitas coisas, por exemplo: se eu for assinar um contrato, eu tenho que fazer a leitura dele. Existem várias leituras, a de desenhos, dos livros e a leitura das nossas vidas”. Na contabilidade dos livros lidos não estão somados os gibis e histórias em quadrinhos, que também são uma paixão da leitora mirim. Além dos livros, Evelyn se diverte assistindo televisão, jogando em smartphones e tablets e pintando.


Escritora dá ênfase à leitura infantil

Com livros voltados para o universo infantil, a escritora e professora Rita de Cássia Zuim Lavoyer diz que “a criança precisa se familiarizar com o livro desde os seus primeiros anos de vida”. “Mas devemos nos lembrar que livros não têm pernas. Eles precisam ser conduzidos à criança para que ela os sinta primeiro, e essa graça, de potencializar a criança em pré-leitor, deve partir dos adultos”.

A escritora enfatiza que a leitura na infância é de extrema importância e que ela “aumenta o repertório de palavras, o desenvolvimento psíquico e sentimental, e conhecer novos mundos através da imaginação”. Para Rita, os pais podem e devem ser os maiores incentivadores dos filhos sendo exemplos. “Acho muito engraçado pais que reclamam que os filhos não leem, mas eles próprios não são exemplos de leitores”, explica a autora. 

Um dos erros destacados por Rita é o “analfabetismo funcional" dos responsáveis. 
“Há pais tão pobres de leituras, que nem argumentos têm para se autodefenderem, mas cobram e jogam sobre as escolas e professores os insucessos de seus filhos nos quesitos leituras, produções e interpretações”, enfatiza. Rita ainda explica que, por conta desse erro de avaliação dos pais, as crianças ficam desassistidas e não evoluem.

PRODUÇÃO
Autora de diversos títulos infantis, Rita conta que a produção infantil é “prazerosa”. Ela conta que, durante o processo de produção, escreve primeiro para si e, “se eu me divirto com as histórias, se eu acho que elas são interessantes para a criança que eu sou, poderão ser para outras também”.

“Procuro dialogar com esse público com a mesma linguagem que ele está usando hoje para se relacionar com o seu grupo, mas também valorizo, na mesma narrativa, vocabulários que não são do repertório dele, para que se interesse em pesquisá-los” detalha a autora, que diz buscar engendrar os acontecimentos “de tal forma que o leitor se sinta acolhido àquela realidade, por mim inventada, e nela queira ficar e, quando sair, que saia com alguma nova substância que lhe possa ser útil”.

No universo digital que vem tomando conta da juventude, Rita é otimista com as novas plataformas e garante: “não há idade para sermos dessa nova geração digital, ou daquela, física”. 

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