A luta contra a corrupção

Você é corrupto quando fura fila, quando não devolve o troco a mais recebido de alguém

O episódio histórico de quarta-feira (24), ou seja, o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atraiu muito mais atenção tendo em vista o seu protagonista principal do que, talvez, pelo fato em si. Julgamentos criminais e por corrupção são mais frequentes do que se imagina, haja vista o grande número de ações por improbidade que tramitam na Justiça brasileira.

Por outro lado, pode-se absorver deste fato o que muitos já sabem, mas insistem em achar normal: a erva-daninha da política brasileira é a corrupção, independentemente de onde ocorra ou como seja praticada. Corrupção esta que está embrenhada nas entranhas mais profundas do poder público brasileiro. Ao falar em corrupção, o que se pensa é na corrupção praticada em esferas administrativas, por políticos. Mas, vale lembrar que a corrupção está no dia a dia dos brasileiros. 

Você é corrupto quando fura uma fila, quando não devolve o troco que recebeu a mais de alguém ou, ainda, quando “cola” em uma prova, ou seja, quando obtém qualquer vantagem indevida por ato próprio ou de terceiro. São exemplos simples, mas que servem para demonstrar como o brasileiro condena as condutas daqueles que hoje governam quando foram todos criados sob as mesmas regras. Aqueles que hoje governam já foram do povo e aprenderam que a corrupção é permitida.

O que precisa ser defendido é que a sociedade tenha uma consciência do coletivo colocada acima de sua consciência individual. Essa consciência coletiva deve ser o norte para que os novos governantes sejam eleitos, pois não podem se esquecer que estão no governo para tratar dos interesses do povo, e somente destes. Em tempo, a defesa de Lula faz, justamente, o que não se deve fazer: tentar desconstruir a confiança no Judiciário, poder independente e que ajuda na fiscalização dos outros poderes. 

Afinal, de que forma se combate a corrupção? Ensinando ao povo como ser honesto, quais os benefícios da lisura e da transparência. É esse mesmo povo que estará no poder num futuro não muito distante, por isso, é preciso evitar votar em políticos de carreira. 

São pequenas ações que geram grandes resultados, a médio e longo prazos, pois, no Brasil, a lei da vantagem é cultural e isso não se muda da noite para o dia. E qual o papel dos movimentos sociais nestas mudanças? Eles são fundamentais — desde que não sejam radicais ou extremistas e sejam, de fato, movimentos para a sociedade, sem finalidades obscuras —, para difundir uma nova cultura, mostrando quais resultados o país pode conseguir desde que o povo adote uma nova postura. 

A consciência coletiva é a porta de entrada para a diminuição das diferenças sociais, que são a grande causa do aumento da corrupção. Vender o voto é o mesmo que cometer os crimes pelos quais foram julgados políticos e comparsas do alto escalão do PT e de muitos outros partidos. A palavra-chave para tudo é consciência, leve, como única possibilidade.

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