A liberdade nas redes sociais

Atitudes homofóbicas e racistas devem estar com os dias contados

Sábio é o ditado que diz “falar, até papagaio fala”. O que não se pode negar é que os tais “papagaios” usuários de redes sociais estão com os dias contados por ficarem falando pelos cotovelos. As ofensas espalhadas aos quatro ventos do universo digital são, sim, passíveis de gerar indenização aos ofendidos. 

É isto que prova a decisão proferida a favor do advogado araçatubense Renan Silva Salviano. Mais do que ser indenizado por ofensa pessoal, o que fica é o exemplo deixado pela sentença. Embora ainda passível de recurso, a vitória abre caminhos para que outras pessoas que diariamente são injustiçadas e ofendidas nas redes sociais, principalmente, tomem coragem de denunciar criminal ou civilmente seus agressores. 

O Brasil já está passando da fase da “indústria do dano moral”, quando indenizações milionárias eram concedidas aos ofendidos em qualquer meio. É preciso consciência de que, ao proferir uma opinião pessoal ofensiva em meios de comunicação, esta pode tomar proporções devastadoras. E a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco, como as minorias.

A verdade é que, ao expor sua vida nas redes sociais ou estar em papel de figura pública, o ser humano está, automaticamente, mais sujeito a se tornar vidraça aos olhos dos outros. Enquanto muitas pessoas não conseguirem enxergar nem os próprio defeitos, entende-se que não devem apontar o dedo para outros. Faz parte da natureza do ser humano criticar, principalmente, aquilo que ele não enxerga fazer. 

No caso em tela, ao fazer alusão à “cura gay”, ideia lançada pelo magistrado Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, que proferiu sentença autorizando que psicólogos ofertem este tipo de serviço, ainda que haja vedações em resoluções do próprio Conselho Federal de Psicologia, o autor da ofensa vai contra a letra da própria Constituição que “garante a liberdade científica bem como a plena realização da dignidade da pessoa humana, inclusive sob o aspecto da sexualidade”.

Atitudes homofóbicas e racistas devem estar com os dias contados. Não por serem sujeitas à indenização ou criminalização de ambas as condutas, mas por se tratarem de ações que atingem a dignidade humana. Se as pessoas se preocupassem menos com a vida alheia, e também em expor seus problemas ou felicidades, com certeza, muitas rixas não existiriam. 

A verdade é que, quem está nas redes sociais ou é figura pública, como no caso do advogado que deverá ser indenizado, está mais sujeito ainda a ter sua vida pessoal confundida com os serviços que presta, fazendo as pessoas acharem que podem atacar de forma racista. Defender causas com as quais se é simpatizante, especialmente de minorias, sempre gera desconforto. 

Basta ver como as opiniões se dividem em muitos assuntos. O que não deve ser admitida é a banalização de assuntos delicados, principalmente as novelas, que tentam desconstruir valores da sociedade. Tirar da zona de conforto é papel das discussões saudáveis. Ter liberdade pressupõe responsabilidade.

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