Camila: exame dura menos de dez minutos, é indolor e não há contraindicação

A importância do teste da orelhinha

Detecção precoce evita problemas auditivos

A audição é um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento do ser humano. A detecção precoce de problemas auditivos pode resultar em melhor qualidade de vida. Para isso, a triagem auditiva neonatal, conhecida como teste da orelhinha, tem o objetivo detectar alterações na audição do recém-nascido. Em entrevista à Folha da Região, a otorrinolaringologista Camila Pazian Feliciano, com graduação pela Fameca (Faculdade de Medicina de Catanduva-SP) e especialização pela UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro), explica como o exame é realizado e a importância desse cuidado. 
 
Para que serve o teste da orelhinha e qual sua importância?
Um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento completo do ser humano é a audição, sendo fundamental para aquisição e desenvolvimento da fala e da linguagem. Dessa forma, quanto antes se diagnosticar alterações da audição e tratá-las, melhor para o desenvolvimento. E aí está a grande importância do “teste da orelhinha”, que tecnicamente, entende-se como teste da presença das “emissões otoacústicas” (EOA). Com este teste, é possível avaliar se o bebê ouve ainda nos primeiros dias de vida. A realização da triagem auditiva neonatal (TAN) de rotina é a única estratégia capaz de detectar precocemente alterações auditivas que poderão intervir na qualidade de vida do indivíduo.
 
Quando ele deve ser feito?
A triagem auditiva, inicialmente realizada pelo exame de emissões otoacústicas, deve ser realizada em todos os recém-nascidos, preferencialmente durante a internação na maternidade ou até o primeiro mês de vida. O ideal é que, existindo algum grau de déficit auditivo, ele deve ser diagnosticado até os 3 meses de vida e, então, iniciada a intervenção até os 6 meses. Estudos indicam que um bebê, que tenha diagnóstico de perda auditiva e intervenção realizados no tempo ideal, pode desenvolver a linguagem muito próxima à de uma criança ouvinte.
 
Como é feito o teste?
Este exame dura menos de dez minutos, é indolor, não há contraindicação e pode ser realizado com o bebê dormindo. Um fone de ouvido é colocado na orelhinha do bebê e, em seguida, são emitidos estímulos sonoros, enquanto um microcomputador conectado ao fone registra a resposta auditiva, proveniente da contração e distensão das células cocleares (responsáveis por captar os sons).
 
Se um bebê falhar no exame, isso significa que ele é surdo?
Não! Ocorre que o tamanho reduzido das estruturas auditivas e o acúmulo de secreções no pós-parto podem indicar um alarme falso. Caso a resposta no primeiro exame não seja satisfatória, o neonato deverá realizar avaliação otorrinolaringológica e o reteste. Se ainda houver persistência da falha, ele deverá, então, ser encaminhado para outro exame, chamado “Peate” ou mais conhecido como “Bera” (que registra a atividade elétrica no sistema auditivo em todo percurso entre orelha e cérebro). Se confirmada a perda auditiva, o paciente deverá ser acompanhado por equipe multiprofissional que irá iniciar o processo de reabilitação auditiva.
 
Em caso de deficiência auditiva confirmada. Qual a conduta?
O encaminhamento para o otorrinolaringologista e fonoaudiólogo especializados em reabilitação auditiva deve ser feito no momento do diagnóstico. Esses especialistas farão a seleção e a adaptação da melhor prótese auditiva para cada caso e iniciarão a terapia de reabilitação auri-oral. A criança será então acompanhada de perto para que se avalie se há ganho auditivo suficiente com o uso das próteses. Se for evidenciado que não houve esse ganho funcional suficiente o paciente será avaliado para cirurgia de implante coclear.
 
Quais os bebês que devem fazer o exame? 
Todos os bebês devem ser submetidos ao exame independente ou não de apresentarem indicadores de risco para deficiência auditiva. Lembrando que, desde 2010, este exame é obrigatório, por lei federal, em todos os hospitais e maternidades.
 
Há fatores de risco para surdez em bebês?
Sim. Existem situações nas quais as crianças têm maior risco de surdez. São os “indicadores de risco para deficiência auditiva”: história familiar de deficiência auditiva congênita, síndromes associadas à deficiência auditiva, malformações de cabeça e pescoço, internação em UTI neonatal por mais de 5 dias, uso de medicações ototóxicas, baixo peso ao nascimento (inferior a 1500grs), prematuridade, infecções gestacionais (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, sífilis, herpes, HIV), infecções bacterianas ou virais pós-natais como sarampo, varicela, citomegalovírus, herpes e meningite.
 
Há dados de quantos bebês são diagnosticados com problemas auditivos?
Segundo dados de diferentes estudos epidemiológicos, a prevalência de deficiência auditiva varia de um a seis neonatos para cada mil nascidos vivos, e de um a quatro para cada cem recém-nascidos provenientes de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Esta prevalência é considerada bastante elevada se comparada a outras doenças passíveis de triagem na infância. Segundo a International Federation of Oto-Rhino-Laringologycal Societies (IFOS), a perda auditiva é a deficiência física mais prevalente no mundo, acometendo aproximadamente 10% da população mundial.
LINK CURTO: http://folha.fr/1.373308