Para o músico e editor de imagens Eduardo Martinez, o álbum figura nas listas de trabalhos mais influentes do rock

A Ascensão e Queda de Ziggy Stardust anima fãs de David Bowie

A contracapa do LP que chegou às lojas do Reino Unido em 16 de junho de 1972 trazia uma indicação: “Para ser tocado no volume máximo”. Quem encaixou o vinil no toca-discos e obedeceu a orientação recebeu não apenas uma injeção sonora de glam rock.

A voz que escapava das caixas de som narrava a história de um superstar andrógino, portador de uma mensagem de salvação extraterrestre para uma Terra em contagem regressiva de cinco anos para o apocalipse. O tal artista (fictício), Ziggy, tocava guitarra para falar de amor e também abordar política, drogas e bissexualidade – tema escancarado nas letras para uma Grã-Bretanha que havia descriminalizado a homossexualidade apenas cinco anos antes.

O disco, com faixas que contavam essa narrativa com teor que misturava ficção científica a rock'n'roll, era álbum conceitual “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” (título que pode ser traduzido como “A Ascensão e Queda de Ziggy Stardust e as Aranhas de Marte”). Lançado há 45 anos, o LP foi um divisor para a carreira do cantor, ator e compositor inglês David Bowie, além de se tornar um marco para a música popular.

CONFIRMAÇÃO
Para o músico e editor de imagens Eduardo Martinez, 32 anos, que atua em Araçatuba, o álbum figura nas listas de trabalhos mais influentes do rock e da música moderna por trazer qualidade musical, simbolismo, ousadia temática e vanguardismo. “Se fosse ignorada toda a mítica em torno do disco, restaria ainda um álbum incrível de glam rock. É selvagem, urgente e sexy, mas além de tudo isso, é a confirmação que surgia ali um dos grandes nomes da história da música mundial.”

Martinez classifica o álbum como seu favorito de Bowie, pelo fato de representar uma das facetas do artista que mais lhe agrada. Ele também se sente atraído pela pegada visceral das músicas e a forma como a sequência das canções conta uma história incomum para a época. “Quem em 1972 teria culhões para falar tão abertamente de sexo, drogas e fim do mundo em um disco? Ainda mais sob a perspectiva de um extraterrestre.”